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Divulgação científica
Papel social dos museus

Refletir sobre como o fazer científico e tecnológico, as demandas da sociedade e as questões educacionais influem no papel social dos museus de ciência, sobretudo na negociação com seus públicos, é o objetivo do artigo “Museus, ciência e educação: novos desafios”, assinado por Maria Valente, Sibele Cazelli e Fátima Alves, pesquisadoras do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). O estudo analisa a trajetória de consolidação dos museus de ciência no Brasil e as modificações dessas instituições impostas pela sociedade atual. “Os museus de ciência acompanham a sociedade por mais de três séculos e, ultimamente, vêm sofrendo mudanças marcantes e profundas na sua concepção de acessibilidade pública: anteriormente meros armazéns de objetos, são considerados hoje lugares de aprendizagem ativa”, dizem as pesquisadoras. No Brasil, o movimento de criação dos museus de ciência não tem sido o foco de investigações de historiadores da área. Apesar dos estudos evidenciarem a rica contribuição dos museus para a consolidação das ciências naturais no país. Os primeiros museus brasileiros possuíam temática científica, uma decorrência da exuberância da natureza brasileira. O Museu Nacional do Rio de Janeiro, criado em 1818, foi a primeira instituição brasileira dedicada primordialmente à história natural. O Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, no Pará, criado em 1866, e o Museu Paulista, de São Paulo (1894), são exemplos de instituições dedicadas às ciências naturais e consolidadas no século 19. “Ao longo dos anos intensificam-se pesquisas e práticas comunicacionais relacionadas às atividades em museus, configurando cada vez mais um campo específico de produção de conhecimento”, ressaltam as autoras. “Estudos e estratégias são empregados para disponibilizar aos visitantes conhecimento científico de qualidade e de forma acessível.” O artigo defende que um público mais culto cientificamente estará em melhor posição para discutir, acompanhar e reivindicar políticas públicas referentes às questões atuais e controversas da ciência. “Por conta disso, os programas de comunicação levados a cabo nos museus de ciência devem explorar conceitos e técnicas em que os aspectos sociais e culturais desse conhecimento estejam incorporados.”

História, Ciências, Saúde-Manguinhos – VOL. 12 – Suplemento 0 – Rio de Janeiro 2005

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Saúde
Descompasso sanitário

No artigo “Vigilância Sanitária: uma proposta de análise dos contextos locais” foram publicados os resultados de uma pesquisa realizada em oito municípios do Estado da Paraíba. Os autores analisaram a relação entre os serviços de vigilância da área de saúde e os contextos sanitário, epidemiológico, político, social e econômico desses territórios. O estudo foi desenvolvido pela Assessoria de Descentralização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e integra a Rede Descentralizada de Vigilância Sanitária (Projeto Redevisa), que tem como missão identificar as prioridades sanitárias e epidemiológicas locais para o repasse de recursos financeiros pela Anvisa. As informações sobre os municípios foram analisadas visando o desempenho dos Serviços de Vigilância Sanitária sob os aspectos relacionados à estrutura, processos de trabalho, gestão, contexto político e recursos financeiros. Os pesquisadores constataram a deficiente articulação entre o trabalho das vigilâncias pesquisadas e o espaço onde eles atuam, além de identificar fatores restritivos para a ação de controle sanitário local. “Entre os fatores que reduzem a efetividade das ações de controle sanitário são citados, com freqüência: atribuições pouco definidas das instâncias de governo, abordagem fragmentada do campo de atuação, pouca articulação intra e interinstitucional, insuficiência de recursos humanos, baixa qualificação técnica dos profissionais, sistema de informações insuficiente e despreparo para utilização dos dados existentes.” Outro dado reforça a tese do descompasso entre os atores do processo. “Em 100% das equipes, havia um desconhecimento dos dados socioeconômicos e epidemiológicos dos seus municípios e, por conseguinte, os fatores de risco por eles delineados”, mostram os autores Márcia Franke Piovesan, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Maria Valéria Vasconcelos Padrão, Maria Umbelina Dumont e Luiz Felipe Moreira Lima, da Anvisa, Gracia Maria Gondim, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Oviromar Flores, da Universidade de Brasília, e José Ivo Pedrosa, do Ministério da Saúde. O artigo propõe um método de reconhecimento e sistematização das informações indispensáveis para o planejamento em vigilância sanitária. Apresenta também, como conclusão, um conjunto de necessidades específicas, estruturadas a partir da própria população em conjunto com técnicos e gestores de saúde, com a intenção de propor a intervenção crítica sobre o território por meio do planejamento participativo.

Revista Brasileira de Epidemiologia – VOL. 8 – Nº 1 – São Paulo – mar 2005

www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2005000100010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
Agricultura
Impulso para o tomate

Discutir meios para melhorar em muito a eficiência técnica e econômica da produção de tomate para a indústria é a proposta do estudo “Desafios e perspectivas para a cadeia brasileira do tomate para processamento industrial”. O artigo foi escrito por Paulo César de Melo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e Nirlene Junqueira Vilela, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Hortaliças). A pesquisa está baseada em uma série de visitas técnicas às áreas de produção de tomate para processamento industrial e às agroindústrias de processamento localizadas no estado de Goiás. Além das entrevistas com produtoras e observações in loco, foram feitas inferências a partir de material fornecido pelas agroindústrias processadoras e artigos técnico-científicos publicados sobre o assunto em publicações de referência. “Na América do Sul, o Brasil lidera a produção de tomate para processamento industrial, sendo o maior mercado consumidor de seus derivados industrializados”, dizem os autores. “Entretanto, no contexto mundial, o país tem uma participação de apenas 5,5% da produção total de tomate para processamento industrial e a exportação de derivados industrializados não é significativa”, acrescentam. O estudo mostra que, na década de 1990, observou-se um expressivo desempenho do setor. Entretanto, no âmbito dos sistemas de produção, notou-se uma série de fatores limitantes à otimização da produção. “Dentre esses limitantes estão cultivares inadequadas à colheita mecanizada e suscetíveis às doenças e pragas que depreciam a qualidade industrial dos frutos.” Além disso, observam-se ocorrência de fungos na polpa concentrada, extratos e em outros derivados que poderiam ser evitados com manejo cultural, como maior eficiência das técnicas de irrigação, níveis de adubação, rotação de cultivo, preparo do solo e dos canteiros adequados ao transplante e à colheita mecanizados, controle de plantas daninhas e manejo ecológico de pragas e doenças. “As soluções tecnológicas para os problemas que ainda afetam a eficiência técnica e econômica da cadeia produtiva exigem o desenvolvimento de um plano multidisciplinar de pesquisa e experimentação com o efetivo suporte dos setores agrícola e industrial”, sugerem.

Horticultura Brasileira – VOL. 23 – Nº 1 – Brasília – JAN./MAR. 2005

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Construção civil

Trabalho arriscado

Apesar dos esforços governamentais, empresariais e sindicais, a indústria da construção civil é uma das que apresenta as piores condições de segurança, em nível mundial. Essa é a premissa que sustenta o estudo realizado por quatro pesquisadoras da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP): Cristiane Aparecida Silveira, Maria Lúcia do Carmo Cruz Robazzi, Elisabeth Valle Walter e Maria Helena Palucci Marziale. Elas decidiram fazer um levantamento no Hospital Universitário de Ribeirão Preto sobre os acidentes ocorridos entre os operários do setor. Para isso, analisaram prontuários hospitalares e anotações de profissionais da saúde. Os resultados da pesquisa estão no artigo “Acidentes de trabalho na construção civil identificados por meio de prontuários hospitalares”. Foram analisados 6.122 fichas com características pessoais dos acidentados, causas do acidente e partes do corpo atingidas. Do total de prontuários hospitalares em questão, 150 referiam-se aos trabalhadores da indústria da construção civil. A faixa etária predominante foi a compreendida entre os 31 e 40 anos e todos eram do sexo masculino. As causas predominantes foram as quedas (37%) e as partes do corpo mais lesadas foram os membros superiores (30%). “Os trabalhadores da construção civil constituem um grupo de pessoas que realiza sua atividade profissional em ambiente insalubre e de modo arriscado”, aponta o artigo. “Geralmente são atendidos inadequadamente em relação aos salários, alimentação e transporte, possuem pequena capacidade reivindicatória e, possivelmente, reduzida conscientização sobre os riscos aos quais estão submetidos.” O estudo sugere um maior esforço coletivo tanto das empresas como dos sindicatos e do Estado, que garanta um aumento dos investimentos no setor visando minimizar os acidentes. “Recomenda-se também às equipes do serviço público de atenção à saúde que questionem os pacientes sobre a sua ocupação, procurando-se estabelecer nexo entre o acidente ocorrido e o trabalho realizado pelos acidentados.” Dessa forma, diz o artigo, os acidentes poderiam ser notificados à Previdência Social o que colaboraria para a diminuição da subnotificação acidentária no país.

Revista Escola de Minas – VOL. 58 – Nº 1 – Ouro Preto – JAN./MAR. 2005

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