Imprimir PDF

Mundo

Universos paralelos

Quando Cingapura e Malásia separaram-se politicamente, em 1965, um fosso logo se abriu entre os indicadores científicos dos dois países. Esse fosso nunca parou de crescer. Nas últimas duas décadas, Cingapura estabeleceu-se como importante centro regional de biomedicina, com destaque para a genômica e a pesquisa do câncer. Mais recentemente, sob o hábil comando de Philip Yeo, um misto de engenheiro e superexecutivo, o país criou um dos mais dinâmicos ambientes para pesquisa do mundo, capaz de atrair cientistas e investimentos de fora. Desde 1999 Yeo é o responsável pela Agência para Ciência, Tecnologia e Pesquisa, principal organização de fomento do país. Nos últimos anos, a agência investiu US$ 300 milhões construindo a Biópolis, complexo futurista que abriga institutos especializados em genômica, bioinformática e bioengenharia. O complexo faz parte de um multibilionário investimento em biomedicina. Yeo é famoso pela paciência que emprega para contratar nomes das melhores universidades do mundo.

“É um homem de tanta energia que poderia iluminar uma pequena cidade”, diz o biólogo alemão Axel Ullrich, recrutado do Instituto Max Planck de Bioquímica. “Ele tem uma personalidade magnética”, diz David Lane, novo chefe do Instituto de Biologia Celular e Molecular de Biópolis, recrutado na Escócia. O êxito de Cingapura reside na estratégia de oferecer generosos contratos de trabalho de cinco anos e dar liberdade de trabalho. “Não digo aos cientistas o que eles devem fazer. Ninguém melhor do que eles para decidir”, afirma. Já os esforços da Malásia, mais calcados na construção de laboratórios do que no investimento em recursos humanos, renderam recompensas escassas. O país fracassou na tentativa de criar um pólo de pesquisa biotecnológica perto de Kuala Lumpur e, embora tenha fundado novas universidades, não conseguiu torná-las competitivas. Em parte o problema é atribuído às políticas que favorecem um grupo majoritário da população, os malaios. Esse favorecimento, dizem os críticos, tornou o ambiente acadêmico do país pouco meritocrático. (Nature, 11 de agosto)

Republicar