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Brasil

A Caatinga antes e depois da chuva

Os biólogos Carlos Jared e Marta Antoniazzi, do Instituto Butantan, tiveram muita sorte no início deste ano quando visitaram a Caatinga: após andarem por lá há 20 anos, viram pela primeira vez uma chuva cair sobre o sertão nordestino. Chegaram na tarde de 22 de fevereiro a Angicos, no Rio Grande do Norte, dispostos a procurar anfíbios enterrados na terra seca. À noite caiu a primeira e imprevisível chuva após mais de dois anos. Cobras, sapos e rãs começaram a sair dos esconderijos. Seis dias depois choveu ainda mais, por dois dias seguidos. “De uma hora para outra, fica tudo verde”, comenta Jared. Nas poças d’água dezenas de sapos coaxavam, enquanto outros se acasalavam ou já cuidavam dos ovos envoltos por uma espuma branca. “Estou sonhando ou os bichos continuam cantando?”, perguntou-se Marta na primeira manhã sem chuva. Ao meio-dia os sapos ainda não haviam parado de coaxar.

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