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Publicação científica

Plano S é adiado

Iniciativa internacional de acesso aberto começa a vigorar em 2021, um ano mais tarde que a proposta original

Biblioteca de Birmingham, na Inglaterra: adaptação ao plano vai levar mais tempo

Wikimedia Commons

Foi adiada em um ano – de 2020 para 2021 – a implementação do Plano S, uma iniciativa de acesso aberto proposta por 19 agências de apoio à pesquisa de vários países, na maioria europeus. A decisão busca dar mais tempo para que editoras científicas transformem seus títulos hoje comercializados por meio de assinaturas em revistas que possam ser consultadas livremente na internet, em um modelo de negócios no qual os custos sejam cobertos exclusivamente por taxas cobradas dos autores dos artigos, sem onerar os leitores. “O ano de 2020 foi considerado ambicioso demais pela comunidade de pesquisadores e as editoras que genuinamente desejam mudanças”, disse à revista Nature Marc Schiltz, presidente da Science Europe, organização que propôs o Plano S.

A iniciativa foi lançada em setembro passado e, como propõe uma mudança radical na comunicação científica, desencadeou um debate intenso (ver Pesquisa FAPESP nº 276). Em linhas gerais, o plano estabelece que pesquisas financiadas com recursos públicos deverão ser divulgadas em uma revista científica ou em uma plataforma na internet a que qualquer pessoa tenha acesso sem pagar nada por isso.

A regra impõe desafios para agências de fomento, autores e editoras. As agências preveem um aumento dos custos dos projetos de investigação, pois a publicação dos papers será paga pelos autores. Muitos pesquisadores, por sua vez, reclamam da proibição de utilizar  periódicos de alto impacto, mas que não são de acesso aberto. E as revistas, tanto as de editoras comerciais como as de sociedades científicas, ressentem-se da possibilidade de perder receita.

O adiamento busca dar mais tempo para que todos os atores se adaptem. A mudança de data foi um dos frutos da consulta pública aberta no início do ano para coletar sugestões de aperfeiçoamento do plano. Outros pontos polêmicos foram suavizados, como a proposta de proibir publicações em revistas híbridas – periódicos de acesso fechado que cobram dos autores uma taxa extra para divulgar os artigos em acesso aberto na web. A intenção era que tais periódicos pudessem ser utilizados até 2023 e, mesmo assim, apenas se as editoras assinassem compromissos de transformá-los integralmente em acesso aberto. Agora, o prazo vai até 2024 e serão permitidas revistas híbridas que não tenham firmado esse compromisso – bastará que concordem em ampliar a quantidade de papers em acesso aberto ao longo do tempo, podendo manter o modelo. Outro recuo envolve a ideia de tabelar as taxas cobradas para publicar artigos. No lugar, será exigido apenas que as editoras sejam transparentes sobre seus custos.

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