Imprimir PDF Republicar

Ambiente

2025 foi o terceiro ano mais quente desde a era pré-industrial

Aquecimento global foi de 1,44 ºC acima da média do período de base, só menor que em 2024 e 2023

O ano passado foi muito quente em regiões polares, como Nuuk, na Groenlândia

Odd Andersen / AFP via Getty Images

A Organização Meteorológica Mundial (WMO) confirmou em janeiro que 2025 foi o terceiro ano mais quente desde a era pré-industrial, a segunda metade do século XIX, adotada como referência para calcular o aquecimento global. A entidade, ligada às Nações Unidas, consolidou os dados de oito serviços climáticos internacionais, dois a mais do que fizera em ocasiões anteriores, e concluiu que a temperatura média da superfície do planeta em 2025 foi de 15,08 graus Celsius (ºC). O valor faz com que o aquecimento global calculado ao longo do ano passado tenha sido de 1,44 ºC acima da média do período de base, entre 1850 e 1900. A margem de erro do cálculo é de 0,13 ºC para mais ou menos. Apenas 2024 e 2023, respectivamente o primeiro e o segundo ano mais quente da história recente, suplantaram a temperatura média de 2025. Segundo a WMO, o aquecimento global de 2024 chegou a 1,55 °C e o de 2023 a 1,45 °C.

O período entre 2015 e 2025 engloba os 11 anos mais quentes desde a era pré-industrial. “Isso fornece mais evidências de uma tendência inegável rumo a um clima mais quente”, disse, em comunicado à imprensa, o físico italiano Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudança Climática Copernicus, da União Europeia, uma das oito entidades que produzem sistematicamente os dados de temperatura consolidados pela WMO. “O mundo está se aproximando rapidamente do limite de temperatura de longo prazo estabelecido pelo Acordo de Paris.”

Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP

Segundo esse tratado internacional, que estimula os países a reduzir a emissão de gases de efeito estufa, seria desejável que o planeta não esquentasse mais do que 1,5 ºC em relação à era pré-industrial. Dessa forma, os efeitos das mudanças climáticas não seriam, em tese, tão catastróficos e ainda poderiam ser administrados pelos países.

Dados do Copernicus sinalizam que as temperaturas estiveram muito altas em 2025, sobretudo nas regiões polares. O ano passado foi mais quente na Antártida e o segundo mais quente no Ártico, inclusive na Groenlândia. Nos trópicos, apesar de terem ocorrido ondas de calor, os ponteiros do termômetro subiram de forma menos pronunciada. Esse também foi o caso do Brasil. De acordo com os registros obtidos nas estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura média anual no Brasil em 2025 foi de 24,56 °C. “Foi o sétimo ano mais quente”, diz o meteorologista Glauber Willian de Souza Ferreira, do Inmet.

A reportagem acima foi publicada com o título “Terceiro ano mais quente” na edição impressa nº 360 de fevereiro de 2026.

Republicar