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Royal Society adere a modelo criado por sociedades científicas para oferecer publicações em acesso aberto

A Royal Society, principal sociedade científica do Reino Unido, anunciou um plano para transformar em 2026 oito de suas revistas científicas em publicações de acesso aberto. A ideia é instituir um modelo batizado de S2O (subscribe to open ou assine para abrir), por meio do qual bibliotecas universitárias e de instituições científicas pagarão uma quantia anual para que seus usuários tenham acesso aos títulos, que incluem os periódicos revisados ​​por pares mais antigos do mundo, Philosophical transactions A e B. A novidade é que, se um número suficiente de instituições aderir ao esquema e tornar sustentável a operação financeira dos periódicos, eles “se tornarão gratuitos para leitura e publicação para qualquer autor ou leitor, não apenas para aqueles associados a uma biblioteca assinante”, conforme afirmou a sociedade em um comunicado.

Caso não sejam alcançadas as assinaturas suficientes em 2026, a Royal Society tentará novamente implantar o modelo em 2027 e suas revistas continuarão com o modelo híbrido que vigora atualmente, no qual os autores têm de pagar quantias fixas para publicar seus manuscritos em acesso aberto, conhecidas como taxas de processamento de artigos (APC). O S20 não atingirá dois títulos da Royal Society, Open Biology e Royal Society Open Science, que já são de acesso aberto (com cobrança de APC) e continuarão a ser.

A sociedade científica do Reino Unido tinha planejado transformar seus títulos em acesso aberto até 2026, mas enfrentou percalços para garantir a sustentabilidade financeira das publicações. Entre 2020 e 2024, o número de artigos em acesso aberto publicados pelos 10 títulos subiu de 17% para 60%, mas neste ano a proporção caiu para 55%.“O S2O nos ajudará a fazer uma transição mais rápida e equitativa e é a abordagem correta nesta fase da nossa jornada de acesso aberto”, disse à revista eletrônica Times Higher Education Rod Cookson, diretor de publicações da Royal Society. “Mais importante ainda, tornará os periódicos da sociedade mais fortes no futuro, alcançando mais leitores e uma gama mais ampla de pesquisadores em todo o mundo.”

O modelo S2O vem sendo implantado por uma quantidade crescente de periódicos de editoras sem fins lucrativos e de sociedades científicas. Segundo uma reportagem da revista Nature, 378 revistas estão sendo publicadas sob esse esquema em 2025 ‒ quase o dobro do número do ano passado. A Annual Reviews, editora sem fins lucrativos dos Estados Unidos, foi a primeira a implementar o modelo com cinco de seus títulos em 2020. Hoje, todos os 51 periódicos da empresa funcionam sob o esquema. A EMS Press, editora da Sociedade Europeia de Matemática, testou o modelo com 10 periódicos em 2021 e o expandiu para todos os 22 que publica há dois anos. “É um modelo muito sustentável, porque redireciona gastos tradicionais das bibliotecas. Não há necessidade de orçamento adicional. Não há componentes extras além do que elas já estão gastando”, disse à Nature Laura Simonite, chefe de desenvolvimento de negócios da EMS Press.

Nem todas as experiências com o modelo, contudo, foram bem-sucedidas. A editora francesa EDP Sciences adotou o S2O em 2021 em seus oito títulos: Astronomy & Astrophysics, Radioprotection e seis periódicos de matemática. Em 2023, a revista Radioprotection voltou para o acesso pago porque o número de assinaturas necessárias não foi atingido. Já no ano passado, voltou a ser de acesso aberto graças ao crescimento de assinaturas e ao apoio financeiro suplementar da Sociedade Francesa de Radioproteção. A editora igualmente só conseguiu manter as seis revistas de matemática em acesso aberto neste ano depois de receber apoio financeiro da Sociedade Francesa de Matemática Aplicada e Industrial e do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França. “É preciso diversificar as fontes de receita para garantir a sustentabilidade do modelo”, afirmou à Nature Selina La Barbera, diretora de publicações da EDP Sciences.

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