guia do novo coronavirus
Imprimir PDF Republicar

Internacionalização

Atmosfera cooperativa

USP, FAPESP e Marine Biological Laboratory, dos EUA, promovem cursos inéditos no país

molevol/wikicommonsPesquisadores participantes de workshop do Marine Biological Laboratory, realizado em 2011molevol/wikicommons

A cada verão do hemisfério Norte, o Marine Biological Laboratory (MBL), um tradicional centro de pesquisa e educação dos Estados Unidos fundado em 1888, recebe 1,4 mil cientistas e estudantes de todo o mundo para estudar e investigar temas avançados em biologia, biomedicina e ecologia. Esse contingente se soma aos 275 cientistas e técnicos que trabalham no laboratório, situado em Woods Hole, Massachussetts, fazendo pesquisas interdisciplinares em temas como ecologia, microbiologia, doenças infecciosas e neurobiologia. O programa de educação do MBL, que oferece seis cursos de verão e uma dezena de cursos especiais ao longo do ano, é conhecido como um formador de biólogos experimentais – e 54 ganhadores do Nobel já atuaram na instituição, fazendo pesquisa ou lecionando. A novidade é que o MBL celebrou uma parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) para ministrar cursos conjuntos em São Paulo ainda neste segundo semestre.

Serão dois cursos. O primeiro, sobre Biologia do Parasitismo, está programado para os dias 4 a 9 de novembro. O segundo, sobre Sistemas Neurais e Comportamento, deverá acontecer entre 9 e 14 de dezembro (ver programação).  As inscrições devem ser feitas até 31 de agosto e a ideia é atrair pesquisadores do mundo inteiro. A iniciativa faz parte do programa Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), modalidade de apoio da FAPESP que busca aumentar a exposição internacional de áreas de pesquisa de São Paulo que já são competitivas mundialmente. O programa estimula pesquisadores a organizarem cursos de curta duração com professores convidados de vários lugares do mundo e de São Paulo. Pelo menos a metade da audiência deve ser recrutada entre pesquisadores e estudantes de fora do Brasil. Um dos objetivos é despertar o interesse de estrangeiros em trabalhar como cientistas em São Paulo.

Os dois cursos serão os primeiros da Escola São Paulo feitos em conjunto com uma instituição estrangeira. “Não tenho dúvida de que a marca do MBL vai ajudar a atrair alunos estrangeiros de alto nível”, diz Maristela Martins de Camargo, professora do Departamento de Imunologia do ICB, organizadora dos cursos. Maristela já foi pesquisadora visitante do MBL e participou dos cursos de verão. Em 1997, fez o curso de Biologia do Parasitismo que agora será ministrado no Brasil. “Os nomes mais importantes da área estavam lá e davam palpites sobre os trabalhos dos alunos. Uma marca dos cursos do MBL é que não há barreiras entre professores e alunos”, afirma. Maristela teve a ideia de propor os cursos ao observar que uma instituição-irmã do MBL, o Cold Spring Harbor Laboratory, tinha parcerias desse tipo com a China. “Propus uma parceria ao diretor de educação do MBL, que recebeu muito bem a ideia”, diz. Para garantir que a atmosfera cooperativa do MBL se repita no Brasil, professores e alunos vão compartilhar desde a condução até o restaurante do hotel de praia em São Sebastião (SP), que sediará os eventos.

Republicar