Imprimir Republicar

Boas práticas

Baixa representação

Apenas um em cada cinco membros de academias e associações científicas do mundo é mulher, diz relatório

Um relatório divulgado em 11 de fevereiro, Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, mostrou que as mulheres são apenas 19% dos membros de 136 academias de ciências e associações científicas do mundo. É certo que houve um crescimento de 12% em relação a proporção registrada em 2015, mas os avanços na década foram limitados: apenas uma em cada cinco academias é presidida atualmente por uma mulher e quase metade dessas instituições não tinha mulheres como vice-presidentes ou copresidentes. Nas associações científicas, a representação feminina em cargos de liderança varia entre as disciplinas, mas alcança uma média de 40%.

De acordo com o documento, intitulado “Rumo à igualdade de gênero nas organizações científicas: Avaliação e recomendações”, a baixa representação feminina nessas entidades pode ser atribuída em grande medida a práticas arraigadas e normas de seleção que continuam a moldar quem é indicado ou incentivado a ser membro. “Como resultado, as mulheres permanecem sub-representadas nos grupos de indicações em relação à sua presença entre os cientistas elegíveis”, diz o documento, produzido por entidades como o Conselho Internacional de Ciência, a Parceria Interacadêmica e o Comitê Permanente para a Igualdade de Gênero na Ciência, com base em dados das instituições e em respostas a um questionário aplicado a 600 pesquisadoras. As mulheres que ingressam em organizações científicas, diz o documento, têm uma participação comparável à dos homens nas atividades dessas entidades, mas não reconhecidas de forma equivalente.

“As academias com as maiores proporções de membros femininos, na casa dos 30 a 39%, encontram-se principalmente em partes da América Latina e da Ásia e Pacífico”, afirmou ao site SciDev.Net a psicóloga Léa Nacache, coordenadora do estudo e diretora de comunicações do Conselho Internacional de Ciência, organização sem fins lucrativos que reúne membros de mais de 250 sociedades, federações e academias científicas do mundo.

Entre as academias nacionais, os destaques positivos vêm de Cuba, com 39% de membros do sexo feminino, e da Austrália, como 38%. O pior desempenho é o da Academia Nacional de Ciências da Coreia do Sul, com apenas 2% de mulheres entre os afiliados. A Academia Brasileira de Ciências, que é presidida pela biomédica Helena Nader, tem 22% de membros mulheres – em 2015, elas eram 13%, de acordo com o documento. Segundo o relatório, dois terços das academias têm políticas relacionadas a gênero, mas menos de 10% dispõem de um orçamento específico para a igualdade de gênero.

Republicar