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Parceria

Cálculos partilhados

Metade do tempo de computador de alto desempenho da Unicamp foi utilizada por pesquisadores de outros estados

Com três anos de operação, um sistema computacional adquirido em 2006 pelo Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho em São Paulo (Cenapad-SP), em Campinas, encarna uma história de sucesso. A máquina, financiada pela FAPESP, tornou-se largamente utilizada por pesquisadores de vários lugares do Brasil: nada menos de 50% do tempo de uso do sistema até agosto de 2008 foi dedicado a cálculos feitos por pesquisadores de outros estados, com destaque para o Rio Grande do Sul, Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Maranhão. A outra metade do tempo da máquina, que está abrigada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi partilhada com instituições paulistas. Grupos da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, utilizaram 31,87% do tempo do equipamento. A Unicamp ficou em segundo lugar, com 11,14% do tempo, seguida pelas universidades Federal de São Carlos (UFSCar), com 2,25%, Estadual Paulista (Unesp), com 2,06%, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com 0,99%, e, por fim, a Universidade Federal do ABC (UF­ABC), com 0,88%. “O investimento feito pela FAPESP rendeu frutos em vários lugares do Brasil”, diz Edison Zacarias da Silva, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Unicamp, e coordenador do Cenapad-SP. A aquisição foi feita por meio do Programa de Equipamentos Multiusuários da FAPESP e custou US$ 390 mil.

O balanço da atividade é oportuno porque a máquina acaba de cumprir seu ciclo de operação mais importante. Recentemente, ela começou a funcionar acoplada a um equipamento ainda mais moderno, com capacidade de processamento três vezes superior, financiado pelo governo federal. Segundo Edison Zacarias da Silva, sem a aquisição feita em 2006 teria sido comprometida a realização, nos últimos três anos, de simulações computacionais em áreas como física, química, biologia, engenharia, matemática e genômica. “Nossas máquinas estavam ficando obsoletas, assim como as dos demais Cenapads espalhados pelo Brasil e que formam o Sistema Nacional de Computação de Alto Desempenho (Sinapad), e o governo federal, ao qual somos vinculados, não proporcionou recursos naquela época para atualizar os sistemas”, afirma o professor.

Sete Centros de Alto Desempenho compõem o Sinapad, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e à Rede Nacional de Pesquisa (RNP). “Graças à ajuda da FAPESP, o Cenapad de São Paulo ficou em situação mais favorável e por isso tornou-se referência para pesquisadores de outros estados”, observa. O centro abrigou no período o maior parque computacional voltado para a pesquisa no Brasil. Para ter uma idéia da importância da máquina financiada pela FAPESP, até abril passado o quinhão de tempo utilizado pela USP chegou a 42% do total – esse porcentual só foi reduzido agora porque o novo sistema, aquele com capacidade de processamento três vezes superior, entrou em funcionamento há poucos meses e os pesquisadores da USP começaram a usar mais esse novo equipamento. A USP também se beneficiou do Programa de Equipamentos Multiusuários da FAPESP: em 2007, o Centro de Computação Eletrônica da universidade recebeu um supercomputador IBM PowerPC 970 que, à época, se tornou o primeiro de uso acadêmico do país a entrar no Top 500, ranking dos computadores mais potentes do planeta. Dotado de 448 processadores que operam em conjunto, possibilita um desempenho de 2,9 trilhões de operações por segundo (teraflops).

Fila
A máquina do Cenapad-SP financiada pela FAPESP, fornecida pela Silicon Graphics Inc. (SGI), é um sistema composto de 70 processadores, com capacidade de processamento de 420 gigaflops. A demanda científica para cálculos de alto desempenho no Brasil é enorme e o tempo médio de espera na fila do Cenapad da Unicamp gira em torno de cinco dias. O parque computacional é utilizado remotamente. Por meio da internet, pesquisadores cadastrados podem submeter, a partir de seus computadores pessoais, cálculos de suas pesquisas, cujos resultados de novo podem ser vistos, recolhidos e analisados pelos pesquisadores em suas instituições. Quando os cálculos terminam, o pesquisador recebe um e-mail automático informando. A maior parte do tempo das máquinas do Cenapad é utilizada por físicos, em particular para a resolução de problemas em nanociência. No caso do sistema adquirido em 2006, pesquisadores da área de física foram responsáveis por 87% do uso da máquina, seguidos pelos da área de química (7,2%), engenharia (3,5%), biologia (0,8%), matemática (0,2%) e computação (0,2%). Os pesquisadores apresentam relatórios anuais onde prestam contas sobre a produção acadêmica associada ao uso dos sistemas do Cenapad. Em três anos, a máquina propiciou 211 trabalhos publicados em revistas internacionais, 187 trabalhos divulgados em congressos internacionais, 13 teses de doutorado e 16 dissertações de mestrado.

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