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Indicadores

Campeões da transformação

Índice da revista Inovação destacará empresas líderes da indústria brasileira

BRAZA revista Inovação, do Instituto Uniemp, deverá divulgar no próximo mês de maio o primeiro ranking do Índice Brasil de Inovação (IBI), que vai identificar as cinco empresas líderes dos principais setores da indústria de transformação. “Teremos empresas já conhecidas por seu esforço inovador e algumas novidades”, adianta Ruy Quadros, do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) do Instituto de Geociências da Unicamp, um dos pesquisadores envolvidos no projeto do novo indicador, que resulta de iniciativa editorial da revista Inovação, com base em ideia original de seu editor chefe, Carlos Vogt. Foi ele quem articulou a parceria com o Instituto Uniemp, o apoio da FAPESP e a participação da Unicamp para o desenvolvimento do projeto. As indústrias que não ficarem entre as cinco mais inovadoras em seus respectivos segmentos não terão seu nome revelado. A apresentação do ranking acontecerá primeiro em workshop na FAPESP e em seguida no VII Congresso Iberoamericano de Ciência e Tecnologia .

O IBI tem como matéria-prima as informações que as empresas forneceram à Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec) 2003, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), voluntariamente cedidas à equipe de pesquisadores para a elaboração do indicador, sob compromisso de sigilo absoluto. Também serão computadas as informações relativas às patentes registradas pelas empresas no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e as da Pesquisa Industrial Anual (PIA) 2003, também do IBGE, que contabiliza investimento na qualificação de pessoal, aquisição de equipamentos, entre outros. “É uma saída engenhosa, de custo zero para a empresa”, sublinha Quadros.

Esses dados estão sendo processados levando-se em conta os esforços de inovação das empresas – gastos internos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), dispêndio em bens de capital para a inovação, porcentual de doutores etc. – e os seus resultados – desempenho inovador, porcentual de vendas ou exportação de produtos inovadores, registro de patentes etc. “Os esforços tecnológicos não são um objetivo em si mesmos, mas instrumentos para garantir o crescimento e fortalecer o desempenho competitivo”, justifica Quadros.

O IBI, assim, se divide em dois grandes indicadores – Indicador Agregado de Esforços (IAE) e o Indicador Agregado de Resultados (IAR) – construídos a partir de indicadores “individuais” de cada uma das empresas analisadas, devidamente “balanceados para permitir uma visão sistêmica do processo de inovação”, explica Quadros. Se, por exemplo, os esforços internos de uma empresa para a implementação de novos produtos ou processos são mais importantes do que os dispêndios em máquinas e equipamentos, essa diferença será compensada por meio da atribuição de um peso maior ao primeiro indicador. As empresas mais inovadoras, no ranking do IBI, serão aquelas que apresentarem esforços para a inovação e resultados acima da média do seu setor.

A intenção do IBI é destacar e identificar as empresas que mais investem em P&D no país. A construção do índice surgiu da constatação de que não existem dados públicos consistentes sobre P&D no Brasil e apenas as informações da Pintec – baseadas em índices da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – não revelam todas as especificidades do processo de inovação no Brasil.

O IBI, acrescenta Quadros, tem uma tripla vantagem: permitirá que a sociedade conheça a atuação das empresas inovadoras por um prisma diferente dos indicadores tradicionais; servirá como referência para que o governo e as agências de fomento calibrem instrumentos de política pública voltados para o setor privado; e possibilitará às empresas avaliar seu desempenho inovativo em relação às demais concorrentes no mercado.

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