guia do novo coronavirus
Imprimir PDF Republish

Banco de dados

Censo científico

Levantamento do CNPq radiografa grupos de pesquisa no país

A quarta versão do Diretório dos Grupos de Pesquisa, uma espécie de censo da atividade científica promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), constatou, no ano 2000, que estavam em ação no país 11.760 grupos de trabalho, com um total de 48.781 pesquisadores, vinculados a 224 universidades e instituições, públicas e privadas. As universidades públicas, de acordo com esse levantamento, concentram 80% dos grupos de pesquisa. Do ponto de vista regional, o destaque é para o Sudeste, que abriga 57% da produção científica nacional. São Paulo segue na liderança, com 31% dos grupos de pesquisas. A Região Sul reúne 20% dos grupos; o Nordeste, 15%; o Centro-Oeste, 5%, e na Região Norte, foi constatada a existência de 3% do total dos grupos de pesquisa.

Na primeira versão do Diretório, publicada em 1993, foram registradas as atividades de 4.404 grupos de pesquisa. Em 1995, esse número saltou para 7.271, e em 1997, na terceira versão, para 8.632. O crescimento do número de grupos de pesquisa expressa o aumento da base de dados que, além de estender a coleta a todas as unidades da Federação, passou a contabilizar também, a partir de 2000, as atividades de pesquisa de instituições privadas. “O Diretório cobre, atualmente, 80% da capacidade instalada de pesquisa no país”, diz Reinaldo Guimarães, consultor do CNPq e coordenador do projeto. O primeiro levantamento, realizado em 1993, teve uma cobertura estimada em 40% do total dos grupos em atividade no país. A ampliação da cobertura do Diretório também foi responsável pela diminuição da posição relativa do Sudeste no conjunto da pesquisa no país, e de São Paulo, cuja participação caiu de 40%, em 1995, para os atuais 31%.

Estratificação
Nesta última versão, apoiado em critérios de estratificação, o Diretório classificou os grupos de pesquisa conforme a qualidade da produção científica, usando basicamente dois critérios: o número de bolsistas do CNPq e de docentes de pós-graduação avaliados pela Coordenadoria de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (Capes) que integravam os grupos. A partir desses parâmetros, foi possível distinguir os grupos de excelência (A) e consolidados (A+B), aqueles em consolidação (C+D) e os grupos em formação (E). De acordo com Guimarães, cerca de 10% dos grupos se enquadraram no estrato A e 20% obtiveram A+B, 40% foram classificados como C+D e 30% se enquadraram na categoria E.

Mais de 80% dos grupos considerados de excelência e consolidados estão localizados no Sudeste, principalmente nas universidades e institutos de pesquisas paulistas. Em São Paulo, 46% dos grupos estão no estrato A+B, 42% no C+D e 12% no A. Do total de grupos de pesquisa em atividade no Estado de São Paulo, 11,5% estão na Universidade de São Paulo (USP), 4,6% na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 3,1% na Universidade Estadual Paulista (Unesp), 1,5% na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e 1,3% na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), apenas para citar alguns exemplos.

Os grupos paulistas, ainda segundo os dados coletados pelo Diretório, reúnem 15.129 pesquisadores; 68% com doutorado, 19% com mestrado, 9% com graduação e 4% com especialização na sua área de atividade. O mapeamento do CNPq constatou que 31% das pesquisas desenvolvidas pelos 11.760 grupos em todo o país se concentram no setor de Saúde, seguidas de perto pelo de Educação, com 30%. Mais da metade dos pesquisadores têm doutorado (56,7%) e quase 65% têm artigos publicados em revistas especializadas, de circulação nacional e internacional, livros ou capítulos ou outras publicações.

Grupos e lideranças
A idéia de mapear as atividades de pesquisas no país surgiu em 1990, no Fórum de Pró-reitores de Pesquisa, estimulada por um desafio do então secretário Nacional de Ciência e Tecnologia José Goldemberg. “Ele nos pediu que apontássemos os bons grupos de pesquisa existentes no país”, lembra Guimarães, na época pró-reitor de Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). “Não tínhamos como identificar os bons, sem identificar todos. O projeto de um censo de pesquisa no país amadureceu e foi apresentado ao CNPq em 1992. O primeiro levantamento foi realizado em 1993 com três objetivos: preservar a memória da pesquisa no país, promover intercâmbio entre grupos de pesquisadores e subsidiar as políticas de ciência e tecnologia no país.”

“Desde o início, defendemos a idéia de trabalhar com grupos de pesquisa como unidade de análise, apesar deste não ser um modelo tradicional no país, já que a relação dos órgãos de fomento é com os pesquisadores”, diz Guimarães. O pressuposto, ele justifica, é que os grupos de pesquisa se organizam hierarquicamente em torno de uma liderança que será a fonte de informações para a base de dados. “Desde 1993, consideramos difícil estabelecer relações individuais, a começar pela identificação dos líderes. Quem tem cumprido esse papel são as autoridades máximas de pesquisa nas instituições.” Orientados pela equipe responsável pelo projeto, os pró-reitores, superintendentes, diretores ou vice-presidentes de pesquisa das universidades e instituições identificam os líderes de pesquisa, remetem a estes os questionários e se encarregam de seu recolhimento e envio ao CNPq.

A meta inicial era realizar levantamentos bianuais. “Mas, em 1999, o CNPq iniciou a implementação da Plataforma Lattes – um sistema operacional que integra a sua base de dados com os mais de 70 mil currículos Lattes e a gerência de fomento. Por isso tivemos que fazer a quarta versão em 2000.” No próximo censo, em 2002, já estão previstas algumas mudanças. “A partir da quinta versão, os líderes poderão atualizar as informações de pesquisa ao longo do biênio.

Hoje, só é possível fazer alterações quando a base de dados é renovada. Vamos separar a coleta de informações do processo de divulgação”, ele explica. O site do CNPq, com a quarta versão do Diretório, recebeu um total de 8 mil visitas, entre dezembro do ano passado e fevereiro último, uma média de cem visitas por mês. “As informações reunidas nesta base de dados já podem orientar as políticas de fomento”, diz Guimarães.

Distribuição dos grupos de pesquisa por unidade da Federação
São Paulo / 3.645 / 31
Rio de Janeiro / 1.922 / 16,3
Rio Grande do Sul / 1.199 / 10,2
Minas Gerais / 1.026 / 8,7
Paraná / 701 / 6,0
Pernambuco / 509 / 4,3
Santa Catarina / 417 / 3,6
Distrito Federal / 334 / 2,8
Bahia / 330 / 2,8
Ceará / 253/2,2
Paraíba / 224 / 1,9
Pará / 176 / 1,5
Goiás / 163 / 1,4
Espirito Santo / 140 / 1,2
Mato Grosso do Sul / 109 / 0,9
Maranhão / 108 / 0,9
Rio Grande do Norte / 101 / 0,9
Amazonas / 95 / 0,8
Sergipe / 75 / 0,6
Alagoas / 67 / 0,6
Piauí / 53 / 0,5
Mato Grosso / 30 / 0,3
Tocantins / 28 / 0,2
Acre / 27 / 0,2
Rondônia / 27 / 0,2
Amapá / 1 / 0,0
Brasil / 11.760 / 100,00

Fonte: CNPq

Republish