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Posse

Compromisso com a inovação

Carlos Vogt, novo presidente da FAPESP, vai manter a política administrativa "enxuta" e preservar recursos destinados a bolsas

EDUARDO CESARVogt: A cultura é um aprendizado e um ensinamentoEDUARDO CESAR

Carlos Vogt, o novo presidente da FAPESP, foi empossado no dia 26 de junho, em cerimônia na sede da Fundação. Ele assumiu o cargo com o firme propósito de manter o que qualifica de “política administrativa enxuta”, de forma a não ultrapassar a casa dos 5% do orçamento de R$ 300 milhões nos gastos com a administração. “Esse porcentual, aliás, não chega a 3,5% do orçamento”, sublinha Vogt. No que se refere aos investimentos, ele garante que vai preservar o nível atual de 35% do orçamento destinados a bolsas e seguir enfrentando o desafio de “inovar sempre”.

E destacou, a título de exemplo, os investimentos que a FAPESP deverá fazer no programa Sistema Integrado de Monitoramento e Previsão Hidrometeorológica para o Estado de São Paulo (Sihesp), para observação e monitoramento do clima e dos recursos hídricos. Ele possibilitará, entre outros benefícios, alertar a população com antecedência sobre a intensidade e localização de chuvas. O Sihesp prevê a instalação de estações automáticas de superfície, radares doppler, que podem medir o vento e a chuva, perfiladores de vento e temperatura, sistema de monitoramento do mar e do litoral, rede de detecção de descargas elétricas, entre outros. O projeto, orçado em US$ 15 milhões, entre infra-estrutura e equipamentos, vai requerer parceria com os governos estadual e federal.

Vogt adiantou que já iniciou entendimentos com a União para consumar a transferência da área de 23 alqueires da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) que a FAPESP ganhou de presente do governo federal, na comemoração de seus 40 anos. “Já nos reunimos com o Ministério do Planejamento para tratar do tema. Temos que mapear aspectos jurídicos e legais. A área, de 700 mil metros quadrados, vai garantir à FAPESP um funding muito grande e representar um aumento da capacidade de investimento”, comentou Vogt.

Equipe sintonizada
Lingüista e poeta, Vogt foi reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre 1990 e 1994, onde também exerceu a função de coordenador do Centro de Lingüística Aplicada e de chefe do Departamento de Lingüística. Foi fundador e diretor executivo do Instituto Uniemp e é vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Vogt acumula, ainda, a função de editor chefe da revista Ciência e Cultura, publicada pela SBPC, e de diretor de redação da revista eletrônica ComCiência. Ele substitui o engenheiro e físico Carlos Henrique de Brito Cruz, que deixou a presidência da FAPESP para assumir a reitoria da Unicamp, em 19 de abril.

“Vogt é o primeiro cientista da seara das Ciências Humanas a chegar a este cargo de tamanha expressão e que teve presidentes de alto coturno, oriundos das Ciências Exatas, a exercê-lo”, sublinhou José Jobson de Andrade Arruda, membro do Conselho Superior da Fundação, saudando Vogt em discurso proferido na cerimônia de posse. Lembrou que Vogt, indicado para o Conselho da Fundação em setembro de 2001, em pouco tempo ganhou “o apoio decidido de todos os conselheiros, obtendo a votação máxima para o cargo de presidente”.

Esse resultado, completou, traduziu a certeza do conselho de que “o programa de ação encetado pela Fundação nos últimos oito anos não sofreria interrupção”. Brito foi saudado pelo diretor científico da FAPESP, José Fernando Perez, que atribuiu o sucesso da Fundação, nos últimos oito anos – com o desenvolvimento de programas como Genoma Biota, Políticas Públicas, Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE) e Parceria para a Inovação Tecnológica (PITE), entre outros -, à relação “forte” da diretoria científica com o Conselho da Fundação, liderado por Brito. “O conselho fustigou a diretoria para que inovasse cada vez mais. Temos que continuar ousando”, disse Perez. Brito preferiu creditar os bons resultados das pesquisas “à sorte de ter tido uma equipe sintonizada” no momento em que o conhecimento ganhava um reconhecimento poucas vezes alcançado no passado.

Na cerimônia, perto de 300 pessoas – entre pesquisadores, cientistas, empresários, representantes do governo estadual e parlamentares – lotaram o auditório da FAPESP. O secretário de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo, Ruy Altenfelder Silva, afirmou que, com Vogt na presidência, a FAPESP “continuará em boas mãos”. Na avaliação do presidente da Assembléia Legislativa, Walter Feldman (PSDB), o comando da Fundação passa das Ciências Físicas para as Humanas “sem transição”.

Ciência e poesia
No discurso de posse, Vogt citou o biólogo Walter Gilbert – que qualificou o projeto Genoma dos Estados Unidos como o graal da Genética Humana e a resposta final para o mandamento “conhece-te a ti mesmo” – e o ex-presidente Bill Clinton – que, ao final do seqüenciamento do código genético humano, disse: “Estamos aprendendo a linguagem com que Deus criou a vida” -, para provar que também não existe incompatibilidade no fato de um poeta e lingüista se interessar pelas questões de ciência, tecnologia e desenvolvimento científico.

“Não é necessário fazer muitas ilações para ler na declaração do cientista e no entusiasmo do presidente a vontade de afirmação do homem pelo conhecimento”, afirmou. E reiterou sua crença de que na formação profissional “de nossos jovens estudantes, além da competência técnica de sua especialização, é também imprescindível formá-los nas experiências integral e humanista de que a cultura é um aprendizado e um ensinamento”.

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