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Mãe do ano

Conversa de tartaruga

WHALDENER ENDO/ WIKICOMMONSFilhote de espécie da Amazônia chama a mãe em baixa frequênciaWHALDENER ENDO/ WIKICOMMONS

Todas as espécies de tartaruga não cuidam de suas crias. Elas deixam os ovos enterrados, abandonando seus filhotes à própria sorte. Mas após analisarem mais de 380 horas de gravação de sons emitidos pela tartaruga-da-amazônia (Podocnemia expansa), os biólogos Camila Ferrara e Richard Vogt, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), junto com Renata Sousa-Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), descobriram a primeira evidência de que, pelo menos nessa espécie, as mães exibem algum cuidado com as crias. O estudo foi publicado no Journal of Comparative Psychology (fevereiro de 2013). Eles observaram que, mesmo antes de os ovos eclodirem, os filhotes começam a vocalizar e quando entram no rio chamam pelas fêmeas. Elas respondem e os aguardam em frente à praia na Reserva Biológica do Rio Trombetas, no Pará. Só então adultos e filhotes começam a nadar juntos no rio, em direção às áreas de floresta alagada onde se alimentam. Os animais emitem sons em baixa frequência, que uma pessoa próxima e em silêncio é capaz de escutar. A tartaruga-da-amazônia é ameaçada de extinção, por conta do consumo de sua carne pela população local. “É uma das espécies de tartaruga mais sociais do mundo”, diz Camila. “Há noites em que 300 fêmeas saem de dentro da água juntas para desovar.”

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