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Paleontologia

De tocaia, espinossauro capturava peixes

Dani NavarroRepresentação artística de espinossauros disputando celacanto: capa da revista ScienceDani Navarro

Partes de um crânio encontradas no deserto do Saara, na República do Níger, estão ajudando a resolver um enigma dos espinossauros. Batizado de Spinosaurus mirabilis, o animal viveu até cerca de 95 milhões de anos atrás em ambientes de água doce, como indica a associação com fósseis de dinossauro de pescoço alongado. Há indícios geológicos de o local ter sido uma bacia fluvial. Com uma crista óssea no alto da cabeça, ele provavelmente tinha um hábito semiaquático e ficava de tocaia capturando peixes desavisados. Essa interpretação torna improvável que outra espécie, S. aegyptiacus, parente próxima e contemporânea que vivia onde agora é o norte da África, fosse uma caçadora em ambiente marinho. Em vida, a crista craniana poderia chegar a cerca de 50 centímetros e serviria como uma sinalização visual de sua imponência. No fim desse período, o Cenomaniano, uma súbita elevação no nível do mar teria causado modificações ecológicas que levaram os espinossauros à extinção. O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, e teve a participação do paleontólogo Rafael Lindoso, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Science, 19 de fevereiro).

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