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Imunologia

De volta à batalha

Vitamina C recupera a mobilidade das células de defesa do sangue

Nos diabéticos, os glóbulos brancos do sangue, encarregados da proteção do organismo contra o ataque de substâncias externas e na produção de anticorpos, têm maior dificuldade em migrar para combater focos de infecção. Mas uma pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), Zuleica Bruno Fortes, comprovou que a administração de antioxidantes, como a vitamina C (ácido ascórbico) e o probucol (droga que reduz a taxa de colesterol), restabelece o nível normal de mobilidade dos leucócitos, as células de defesa, fundamentais no processo inflamatório. Em ratos, com diabetes induzido experimentalmente, essa abordagem não apresentou efeitos colaterais.

Zuleica analisou a capacidade de os leucócitos se deslocarem e iniciarem o processo de defesa contra infecções em vários tecidos dos roedores: pele, intestino, fáscia (revestimento transparente do músculo) e músculo esquelético. Com auxílio de fármacos, simulou nos ratos o diabetes mellitus – caracterizado pelo excesso de açúcar no sangue devido à baixa síntese do hormônio pancreático insulina – e causou-lhes uma inflamação aguda com carragenina, um agente químico. Utilizando um circuito fechado de TV acoplado a um microscópio que amplia a imagem até 2.500 vezes, ela observou in vivo o que se passava nos microvasos sanguíneos desses tecidos. Sem tratamento algum, os animais diabéticos deslocavam menos leucócitos para a área inflamada.

Se recebiam doses de antioxidantes, o número de células requisitadas para a tarefa voltava aos níveis normais. “O animal tratado passa a responder ao estímulo inflamatório como se não fosse diabético”, diz a pesquisadora. A menor capacidade de migração dos glóbulos brancos do sangue parece ser um fenômeno comum aos animais que contraem a doença.

A idéia de testar o efeito da vitamina C e do probucol – que neutralizam a ação negativa dos chamados radicais livres, espécies reativas de oxigênio produzidas em excesso pelo organismo em razão de doenças, por exemplo – surgiu de uma constatação: nos pacientes com diabetes, aumenta a geração de radicais livres, que consomem os antioxidantes sintetizados de forma natural pelo organismo.

Coadjuvante
A falta de antioxidantes não é a causa principal da dificuldade dos diabéticos em mobilizar leucócitos e debelar inflamações. O problema decorre da carência de insulina, agravado pelo excesso de radicais livres. Por isso, a pesquisadora resolveu averiguar se o uso de antioxidantes, já testado em diabéticos para controlar outras disfunções decorrentes da doença, teria alguma influência na capacidade de mobilizar leucócitos.

Zuleica faz questão de não estimular falsas esperanças. “O uso de antioxidantes é um tratamento coadjuvante”, diz. “A própria insulina que o diabético toma para controlar a doença leva ao restabelecimento da capacidade migratória dos leucócitos.” Ainda assim, pode haver uma eventual utilização dessas substâncias na batalha contra as infecções. “Mesmo que um doente receba as doses adequadas de insulina, o diabetes dificilmente deixará de provocar complicações a longo prazo”, afirma Zuleica. Uma dessas complicações é justamente a menor capacidade de mobilizar os glóbulos brancos do sangue para debelar infecções.

O Projeto
Possíveis Mecanismos Envolvidos nas Alterações da Resposta Inflamatória Observadas no Diabetes Mellitus Experimental (nº 98/00314-3); Modalidade Linha regular de auxílio à pesquisa; Coordenadora Zuleica Bruno Fortes – ICB/USP; Investimento R$ 47.407,33  e  US$ 43.000,00

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