- Em 2025, enquanto os setores intensivos em recursos naturais continuaram gerando superávits expressivos, os segmentos industriais de maior intensidade tecnológica permaneceram dependentes de importações. Tal configuração evidencia os desafios de política industrial e tecnológica associados à ampliação da capacidade doméstica de inovação, produção de bens de capital e inserção em cadeias globais de maior valor agregado
- O Brasil registrou em 2025 um superávit comercial de US$ 68,3 bilhões. Foi menor que nos dois anos anteriores, mas sustentado pelo desempenho positivo de produtos agropecuários e minerais (saldo de US$ 139,4 bilhões). Já o déficit dos bens típicos da indústria de transformação passou de US$ 57,4 bilhões em 2024 para US$ 71,1 bilhões em 2025, novo recorde em dólares correntes. Tal resultado evidencia a intensificação da assimetria estrutural da balança comercial brasileira
dados
Déficit comercial de bens de alta intensidade tecnológica
- O déficit no comércio exterior dos bens de alta intensidade tecnológica – formado pelo complexo eletrônico, produtos farmacêuticos e equipamentos aeronáuticos – atingiu US$ 50,6 bilhões em 2025, ultrapassando pela primeira vez a marca de US$ 50 bilhões e configurando o maior saldo negativo da série histórica
- A despeito disso, tanto importações como exportações cresceram pouco mais de 10% neste ano. Porém, em valores absolutos, as importações atingiram o inédito patamar de US$ 59,2 bilhões, em contraste com exportações, que, mesmo em valor recorde, chegaram a US$ 8,6 bilhões
- Parte relevante da dependência tecnológica brasileira também se manifesta no segmento de máquinas e equipamentos, classificado internacionalmente como de média-alta intensidade tecnológica. Esse setor apresenta igualmente déficits estruturais elevados na balança comercial brasileira
Fonte COMEX STAT / Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Carta IEDI 1347 Elaboração GPAFI / DPCTA / FAPESP
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