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Boas práticas

Economista em desgraça

Ex-reitor de Harvard é banido de associação de economistas por trocar e-mails com criminoso sexual

A Associação Americana de Economia (AEA), organização profissional que representa 17 mil economistas nos Estados Unidos, baniu de seus quadros Lawrence Summers, 72 anos, ex-reitor da Universidade Harvard e ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, após revelações sobre uma longa correspondência que ele manteve com Jeffrey Epstein, um financista condenado por crimes sexuais, que se suicidou em uma prisão em Nova York em 2019. Summers havia solicitado sua renúncia à associação, que foi aceita, mas acrescida de um banimento para o resto da vida do pesquisador.

A decisão da AEA foi causada pela divulgação de documentos de Epstein pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, em que Summers faz comentários sexistas e pede conselhos amorosos ao amigo. Em um e-mail datado de 2017, Summers comentou: “Estou tentando entender por que a elite norte-americana acha que, se você matar seu bebê por espancamento e abandono, isso deve ser irrelevante para sua admissão em Harvard. Mas se você deu em cima de algumas mulheres há 10 anos, não pode trabalhar em uma rede ou think tank.” A troca de e-mails se manteve mesmo depois de Epstein ser condenado por abusar sexualmente de mulheres, várias delas menores de idade. Em uma declaração feita ao jornal estudantil The Harvard Crimson, Summers disse que manter comunicação com Epstein foi “um erro”, que se sentia “envergonhado” e entendia “a dor” causada por suas ações.

O pesquisador tinha um vínculo antigo com a AEA: em 1993, recebeu a Medalha John Bates Clark da organização, concedida a economistas com menos de 40 anos que se destacaram na profissão. A proibição impedirá Summers de participar de eventos e de trabalhos acadêmicos da entidade ou de recomendar nomes de palestrantes. Por conta da revelação da correspondência, Summers também renunciou ao conselho da empresa OpenAI, criadora do ChatGPT, e se afastou de suas atividades como professor da Universidade Harvard. O economista se tornou reitor de Harvard em 2001 e teve de deixar o cargo em 2006. Ele perdeu apoio político e foi obrigado a renunciar ao comando da instituição depois de declarar que a escassa participação das mulheres nas ciências e na matemática se explica por “uma natural inaptidão” feminina para tais campos do conhecimento.

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