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Ecos da separação

Estresse gerado por breves ausências da mãe nos dias seguintes ao parto lesa o cérebro de animais de laboratório e provoca infertilidade nos filhotes

THIERRY BOUTSDetalhe de “A Virgem e o Menino”THIERRY BOUTS

Ninguém duvida de que estresse demais pode comprometer o desempenho sexual e as funções reprodutivas. Mas quem suspeitaria de que a pressão psicológica de ficar apenas dois minutos por dia longe da mãe, durante os dez primeiros dias imediatamente após o parto, fosse tão intensa a ponto de causar danos cerebrais irreversíveis num rato recém-nascido? E mais: quem acreditaria que essas lesões nervosas surgidas na mais tenra infância poderiam desencadear um quadro de infertilidade em grande parte desses animais durante a vida adulta, caracterizado pela redução da libido, por alterações hormonais e pela dificuldade de ovular, nas fêmeas, e de produzir espermatozóides, nos machos?

Pesquisadores paulistas e gaúchos, que trabalham em conjunto num projeto temático apoiado pela FAPESP, não só acreditaram nessa hipótese como agora a defendem publicamente num artigo a ser impresso na edição de outubro da revista científica norte-americana Behavioral Neuroscience. No estudo, a equipe mostra que roedores que foram momentaneamente separados da mãe logo depois do nascimento apresentaram, quando adultos, uma redução da ordem de 30% no número de células nervosas de uma pequena região do cérebro, o locus coeruleus. Classicamente ligada à resposta ao estresse, tal estrutura nervosa passou, mais recentemente, a ser relacionada ao comportamento sexual e ao funcionamento do sistema reprodutivo. Aparentemente, a causa da diminuição na quantidade de neurônios no locus coeruleus foram justamente os 20 minutos que esses animais ficaram afastados de sua mãe ao longo dos dez primeiros dias de sua vida.

Num segundo trabalho, com resultados ainda preliminares e ainda não publicados em revistas científicas, os pesquisadores constataram uma queda significativa na quantidade de neurônios em outra estrutura cerebral envolvida na resposta ao estresse e no processo reprodutivo, o núcleo paraventricular. “O estresse no período neonatal produz marcas definitivas e estáveis em algumas áreas específicas do sistema nervoso central que, por sua vez, levam a mudanças no comportamento sexual e na capacidade reprodutiva durante a vida adulta”, explica a fisiologista Janete Anselmo-Franci, da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, coordenadora do projeto temático e grande estudiosa do papel do locus coeruleus no sistema reprodutivo feminino.

“Não são alterações generalizadas em todas as áreas cerebrais, mas sim danos em regiões localizadas”, comenta o fisiologista Aldo Lucion, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que está à frente do núcleo gaúcho ligado ao projeto. O locus coeruleus e o núcleo paraventricular não são estruturas exclusivas dos roedores – também estão presentes em outros mamíferos e no ser humano.

Longe da mãe
A perda de células nervosas nessas áreas cerebrais se produziu em ratos recém-nascidos que foram submetidos a um tipo de intervenção chamada no jargão técnico de manipulação neonatal. Para um leigo, tal expressão remete, erroneamente, à idéia de que os filhotes foram literalmente molestados ou maltratados logo após o parto, o que explicaria o seu alto grau de estresse e as lesões cerebrais permanentes manifestadas mais tarde. Mas não é isso que a expressão significa. A manipulação neonatal – uma forma da causar estresse usada em experimentos com ratos desde a década de 50 – caracteriza-se pela interrupção momentânea e, à primeira vista, quase inofensiva do estreito convívio mãe-filho que se estabelece nos dias seguintes ao nascimento.

A intervenção dos pesquisadores, portanto, limitou-se ao gesto de afastar os filhotes da mãe durante dois minutos a cada período de 24 horas. Durante esses 120 segundos diários em que ficaram longe da mãe, os ratinhos permaneceram gentilmente alojados nas mãos enluvadas de um pesquisador. Tal procedimento foi repetido entre o primeiro e o décimo dia de vida dos ratinhos, que compreende a parte mais crítica do período neonatal dos roedores. Os efeitos da manipulação neonatal são quase instantâneos e persistem ou até se agravam com o tempo. No décimo primeiro dia de vida dos animais, somente 24 horas depois de terminado o experimento, já é possível verificar uma redução relevante na quantidade de neurônios nas duas áreas cerebrais estudadas.
Quando os ratos entram na fase adulta, as lesões continuam lá, às vezes de forma ainda mais severa, um indício de que o estrago em pontos do sistema nervoso central deve ser perene. Os danos se manifestam tanto em animais do sexo masculino quanto feminino, embora apresentem maior magnitude nas ratas. Talvez isso se deva à suspeita de que seu sistema reprodutivo – sobretudo o processo de ovulação – seja mais dependente da atuação do locus coeruleus, a estrutura nervosa estudada em mais detalhes no projeto. Por ter um ciclo ovariano bastante semelhante ao da mulher, com o mesmo perfil de hormônios sexuais envolvidos nesse processo, a rata é freqüentemente usada em estudos que enfocam a reprodução feminina. Seu padrão de ovulação também é espontâneo e regular – com a diferença de que seu ciclo completo dura apenas 4 ou 5 dias, enquanto o da mulher leva em média 28 dias. “Nas ratas, podemos observar os mesmos fenômenos que ocorrem na mulher de forma mais rápida”, diz Janete.

As ratas nascem com cerca de 1.500 neurônios nessa estrutura, um centro nervoso do tronco cerebral não muito distante da medula espinhal, que no ser humano é pigmentado (daí o nome locus coeruleus, que quer dizer, em latim, lugar azul). Quando as fêmeas não são submetidas ao processo de estresse derivado da manipulação neonatal, há com o passar do tempo um ligeiro aumento na quantidade de neurônios nesse local. Elas chegam a apresentar 1.800 células nervosas no locus coeruleus na fase adulta, com 90 dias de vida. Já as ratas estressadas, que se viram privadas do contato materno por alguns minutos no início do período neonatal, apresentam em seu décimo primeiro dia de vida – somente um dia após o termino da manipulação – 970 neurônios no locus coeruleus.

Um terço a menos do que no momento de seu nascimento. “Ainda não se sabe o que causa a morte dessas células nervosas”, afirma Lucion. E o pior é que essa quantidade de neurônios praticamente não aumenta quando as fêmeas entram na fase adulta. Além de constatar a perda de neurônios, os pesquisadores mediram outro parâmetro que mostra a retração do locus coeruleus nas fêmeas. Na fase adulta, o volume dessa estrutura em ratas que haviam sido estressadas no período neonatal era quase um quarto menor do que o verificado em fêmeas que não tinham sido manipuladas (0,037 milímetros cúbitos contra 0,050 milímetros cúbicos). Nos ratos machos, ocorre praticamente o mesmo: tanto o número de neurônios como o volume do locus coeruleus mostram-se reduzidos.

As lesões cerebrais decorrentes do estresse no período neonatal, que causam um desbalanço na liberação de hormônios sexuais, repercutem diretamente sobre o seu interesse sexual e a capacidade de procriação. Do ponto de vista comportamental, há uma menor ânsia pelo ato reprodutivo. “Os machos quase não perseguem as fêmeas na época da ovulação, montam menos nas parceiras, ejaculam pouco e a sua produção de espematozóide se reduz”, diz Lucion. As ratas, principal foco de estudo dos trabalhos, também agem fora do padrão. Durante o cio, quase não fazem a lordose, um movimento destinado a estimular a penetração do macho, caracterizado pelo empinamento da parte traseira e exposição de sua genitália. “A maioria das fêmeas não ovula e dois terços não conseguem engravidar”, afirma Lucion, da UFRGS.

Seria temerário especular, num exercício de simples transposição mecânica, que os danos cerebrais verificados em animais – e os problemas sexuais e reprodutivos decorrentes dessas lesões – também devam ocorrer em bebês humanos que, por algum motivo, não receberam a devida atenção da sua mãe ou de alguém que represente a figura materna durante os primeiros dias ou meses de vida. Embora haja muitas semelhanças entre o sistema nervoso central do rato e o do ser humano, há também diferenças que não podem ser negligenciadas. Em trabalhos que tentam mapear o impacto de um estímulo estressante em recém-nascidos, como os da equipe USP-UFRGS, um detalhe precisa ser levado em conta: no momento do parto, o cérebro de um ratinho que acaba de vir ao mundo se encontra num estágio de formação mais atrasado do que o cérebro de um recém-nascido humano.

Nessa fase de desenvolvimento, sua vulnerabilidade a agressões externas, como um evento estressante, é teoricamente maior do que a apresentada pelos neurônios de um bebê no período neonatal. Apesar disso, ainda que perigosa, a comparação entre ser humano e roedor está longe de ser desprovida de lógica. Afinal, muito do que se sabe sobre a fisiologia de nossa espécie – aí incluída a área de reprodução, ponto-chave dos estudos aqui tratados – decorre de observações feitas previamente em mamíferos. Por isso, uma das linhas de estudo dos pesquisadores paulistas e gaúchos procura medir possíveis efeitos negativos da pouca interação entre mães com depressão pós-parto e seus filhos recém-nascidos, uma situação que pode guardar alguma semelhança com o experimento de manipulação neonatal feito com ratos.

Os resultados desses trabalhos mostram que a carência de contato físico entre mãe e filho e de outras formas mais sutis de interação podem ser fatores de estresse para a criança. “Até mesmo a reduzida troca de olhares entre a mãe e o bebê pode ter esse efeito”, diz Lucion. Exagero? Nada disso. A psiquiatra Gisele Manfro, da UFRGS, encontrou, por exemplo, elevados índices de cortisol, um hormônio esteróide que funciona como um marcador de estresse, na saliva de bebês filhos de mães que apresentavam depressão pós-parto. Em outras palavras, há indícios consistentes de que a falta de atenção materna parece ter exercido uma pressão psicológica sobre o recém-nascido.

Isso pode ser dito. Mas daí a afirmar que esse estresse, a exemplo do que acontece com ratos separados da mãe no período neonatal, pode provocar pequenas lesões em certas regiões do cérebro e causar infertilidade na vida adulta vai uma distância enorme. “Estabelecer esse tipo de relação em humanos é muito difícil e demandaria décadas de estudos”, comenta Janete. “O que podemos dizer é que nossos trabalhos reforçam a hipótese de que as dificuldades de reprodução de alguns casais, em especial das mulheres, podem derivar de um estado psíquico do presente ou até do passado.”

Para entender as amplas implicações decorrentes da perda de neurônios no locus coeruleus é preciso compreender o papel desempenhado por essa pequena estrutura cerebral na manutenção do comportamento sexual e da capacidade reprodutiva dos ratos. Com seus 1.800 neurônios, o locus coeruleus é o principal núcleo noradrenérgico do cérebro. Tal termo é usado para designar um grupo de neurônios que, quando estimulado, libera noradrenalina, substância intimamente ligada a conceitos como medo e estresse.

Atuando como hormônio na corrente sanguínea e neurotransmissor no cérebro, onde, ao lado de outras substâncias, intermedeia a troca de mensagens químicas entre os neurônios, a noradrenalina é o centro de muitos estudos sobre o papel do sistema nervoso central na reprodução. “Nas fêmeas, a presença da noradrenalina é de essencial importância para que ocorra um pico na secreção do hormônio luteinizante (LH) pela glândula hipófise”, explica o endocrinologista Celso Rodrigues Franci, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, outro participante do projeto temático.”Sem esse pico, não há ovulação.”

De acordo com Janete, essa função do locus coeruleus, de estimulador do pico de LH que antecede e desencadeia a ovulação, foi demonstrada pela primeira vez por ela e José Antunes Rodrigues, também da USP em Ribeirão Preto, em 1985, na revista Neuroendocrinology. Daí para frente, tal efeito tem sido confirmado por sua equipe em vários trabalhos publicados nos últimos anos em revistas internacionais. Na revista Brain Research, entre 1997 e 2002, os brasileiros emplacaram três artigos sobre o papel do locus coeruleus. O mecanismo de ação desse núcleo noradrenérgico – portanto, de uma região do cérebro – sobre a capacidade reprodutiva feminina é bastante complexo.

A ovulação só acontece se for mantida uma sucessão de eventos e estímulos hormonais sincronizados, que coordenam uma série de ações e reações no organismo. Desde a década de 30 se sabe que os hormônios sexuais produzidos pelo ovário – estrógeno e progesterona – inibem a secreção de LH pela hipófise durante a maior parte do ciclo menstrual. Esse é o princípio básico da pílula anticoncepcional, que passou a ser utilizada internacionalmente na década de 60.

Mais tarde, no entanto, a literatura científica mostrou que, paradoxalmente, no meio do ciclo menstrual, em torno do décimo quarto dia, aumentos na secreção desses hormônios eram absolutamente necessários para deflagrar o pico de LH e, por conseguinte, levar à ovulação. Ou seja, começou a ficar claro que, de acordo com a fase do ciclo menstrual, a presença dos hormônios sexuais pode ter efeitos opostos: ora inibe a liberação de hormônio luteinizante, ora a estimula. Como se sabe, sem a ocorrência do pico de produção de LH, não há ovulação. Ainda hoje, essa contraditória dualidade de funções dos hormônios sexuais sobre a ovulação não é bem compreendida pelos estudiosos.

Muitos pesquisadores tentam, por exemplo, descobrir interações entre esses hormônios e estruturas cerebrais que podem ser decisivas para que ocorra a ovulação. Nessa linha de pesquisa, o grupo de Ribeirão Preto começou a desconfiar que o locus coeruleus poderia estar relacionado ao circuito cerebral que atua sobre a ovulação quando, anos atrás, lesou esse grupo de neurônios em ratas adultas e observou os efeitos desse procedimento. “Vimos que as fêmeas não ovulavam”, afirma Janete. Depois de realizar uma série de experimentos, alguns muito recentes e com resultados ainda não publicados, o grupo da USP formulou um modelo que tenta dar conta da ordem dos eventos que levam à ovulação.

De forma esquemática, o modelo pode ser assim resumido. No período pré-ovulatório do ciclo menstrual, a forma mais comum e ativa de estrógeno, chamada estradiol, é secretada pelo ovário e começa a atuar nas células nervosas do locus coeruleus, induzindo-o à síntese de receptores para a progesterona, outro importante hormônio sexual produzido pelo ovário. Num segundo momento, o folículo ovariano maduro, que contém o óvulo pronto para ser expulso, passa a secretar progesterona.

Tal hormônio se liga então a seus receptores no locus coeruleus, onde deve estimular a secreção de noradrenalina. Esse neurotransmissor ativa um grupo de neurônios que produzem o hormônio liberador de LH, chamado de LHRH. A presença do hormônio LHRH, por sua vez, é o sinal-chave para que a hipófise acelere a secreção do hormônio luteinizante. E é este, quando atinge seu pico de liberação, que, por fim, estimula a ovulação. “Nosso modelo difere dos outros porque defende a idéia de que a progesterona ativa o locus coeruleus e essa estrutura é que aciona o grupo neurônio LHRH”, comenta Janete. “Antes, pensava-se que o estrógeno e a progesterona atuassem diretamente sobre o LHRH.”

Gravidez em atletas
Não chega a ser de todo surpreendente verificar que uma forma de estresse, como a manipulação neonatal em ratas, é capaz de bagunçar a produção de hormônios e influir decisivamente no desempenho sexual e reprodutivo. Alguns estudos mostram que grande parte das mulheres atletas, submetidas diariamente a grande pressão psicológica em treinos e competições na busca por bons resultados, apresenta um ciclo ovulatório irregular. Para essas esportistas, ainda que aparentemente saudáveis, engravidar pode ser uma tarefa mais difícil do que para a maioria da população feminina. “O mesmo pode acontecer com aeromoças que trabalham em vôos longos, intercontinentais, que vivem mudando de fuso horário”, comenta o endocrinologista Franci.

Nesses casos, certos especialistas acreditam que a ovulação não ocorre devido ao estresse, que pode levar ao excesso de noradrenalina ou de outras substâncias que intermedeiam circuitos neurais relacionados à secreção de LH. Seria uma situação inversa à das ratas com lesão no locus coeruleus, que não ovulavam devido à escassez desse neurotransmissor. Numa jogadora de vôlei ou basquete, a pressão psicológica por bons resultados, aliada a uma estafante carga de exercícios, estimularia mais do que o necessário – e na hora errada – o locus coeruleus, que despejaria sem freios a noradrenalina no cérebro.

Resultado: uma pane na ovulação, por excesso de neurotransmissor. Por ora, essa idéia ainda é uma hipótese, não um fato totalmente comprovado. Mas há quem a defenda. “Tanto a falta quanto o excesso de noradrealina alteram o pico do hormônio luteinizante, que é imprescindível para a ocorrência da ovulação”, afirma Janete. “Muitas vezes, uma atleta só consegue engravidar quando pára sua atividade esportiva e o seu ciclo hormonal volta ao normal.” Como quase tudo pode ser um fator de estresse (um ferimento, uma doença, uma preocupação qualquer), a correria e as preocupações da vida moderna podem estar por trás de alguns casos inexplicados de infertilidade humana.

A mãe de um bebê recém-nascido sofre um estresse – bate o carro ou um parente próximo morre – e o leite seca. Todo mundo já ouviu uma história assim sobre o impacto de um evento negativo na amamentação. De tão freqüente, essa situação é alvo de estudos que tentam entender os mecanismos envolvidos na interrupção da produção do leite materno. Para isso, os cientistas estudam os processos de regulação da secreção de prolactina, o hormônio que controla a produção de leite. As lactantes precisam manter níveis altos de prolactina para que a produção de leite não seja interrompida. De alguma forma, o estresse derruba a concentração de prolactina, que nas lactantes é normalmente alta, e dificulta a amamentação.

Um passo para a melhor compreensão desse mecanismo foi dado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Eles viram que bloquear a ação de outro hormônio – a angiotensina II, mais conhecida por sua ação de constrição dos vasos sangüíneos, com impactos sobre a pressão arterial – num ponto específico do cérebro de ratas lactantes que haviam sido estressadas evita a esperada queda na produção de prolactina decorrente de um trauma psicológico. Tal efeito, que pode ser benéfico à produção de leite, foi obtido por meio da injeção de um anti-hipertensivo no núcleo arqueado do hipotálamo, região do cérebro que controla a secreção de prolactina. “Esses resultados confirmam, em um modelo fisiológico, o papel da angiotensina II na inibição da prolactina”, afirma Gilberto Sanvitto, do Instituto de Ciências Básicas da Saúde da UFRGS, que realizou o procedimento em roedores.

Desde a década de 60, há evidências mostrando que o estresse crônico ou agudo produz um aumento na concentração do hormônio angiotensina II no sangue e no cérebro. Esse aumento, acreditam os pesquisadores, é um dos fatores que fazem a concentração de prolactina cair, o que levaria a uma inibição da produção de leite. Portanto, em tese, o emprego de um anti-hipertensivo, como feito experimentalmente com as ratas, conseguiria impedir o efeito negativo para a lactação do excesso de angiotensina II decorrente do estresse. “Bloquear a ação no cérebro da angiotensina II é uma proposta para contornar a falta de leite materno por estresse”, diz Janete Anselmo-Franci, da USP, em Ribeirão Preto. Apesar dos resultados promissores em animais, tal procedimento ainda está em fase de testes e seu uso não é recomendado na clínica médica em humanos.

O Projeto
Sistema Reprodutor Feminino: Controle Neuroendócrino e Efeitos do Estresse (01/04858-2); Modalidade: Projeto Temático; Coordenadora: Janete Aparecida Anselmo-Franci/Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto/USP; Investimento: R$ 1.056.714,56

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