
Mara Barros O mexilhão-dourado espalha-se com rapidez e altera o equilíbrio ecológicoMara Barros
Com menos de 22 milímetros (mm) de comprimento, o mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), uma espécie invasora, originária do Sudeste Asiático, foi encontrado no rio Tocantins muito antes do previsto por pesquisadores. A proliferação era esperada para 2030, mas especialistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) identificaram uma densidade populacional média de 11.940 indivíduos por metro quadrado (m²), muito superior à de 88 indivíduos por m² encontrada em 2023. O molusco tem uma alta capacidade de filtração da água, o que altera a cadeia alimentar, e acumula metais pesados e toxinas que podem ser transferidos na cadeia alimentar. Os mexilhões se incrustam em pontes, estruturas de reservatórios e tubulações de captação de água. Segundo o engenheiro de pesca Rafael Chagas, do ICMBio, há relatos de moradores que encontraram mexilhões em caixas-d’água, presos em redes de pesca e causando mau cheiro em praias do rio Tocantins. “Reverter sua presença é extremamente difícil ou até impossível, o que resta são medidas de controle e monitoramento”, observou (Acta Limnologica Brasiliensia, 19 de dezembro).
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