Imprimir Republicar

Boas práticas

Estudos interrompidos

Corte de verbas para pesquisa médica nos Estados Unidos afetou ensaios clínicos e prejudicou pacientes

Um estudo publicado na revista Jama Internal Medicine mostrou como o corte de verbas federais nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), principal agência de apoio à pesquisa biomédica nos Estados Unidos, afetou estudos sobre doenças e a busca por novos tratamentos. Pelo menos 383 ensaios clínicos que estavam aprovados ou em curso foram interrompidos em 2025, por conta do cancelamento de bolsas e de projetos determinados pelo governo de Donald Trump.

O levantamento, coordenado por Vishal Patel, médico do Brigham and Women’s Hospital e pesquisador da Escola Médica de Harvard, identificou 11.008 ensaios clínicos apoiados pelos NIH entre 28 de fevereiro e 15 de agosto. Desse universo, cerca de 3,5% perderam financiamento.

Entre os ensaios cancelados, 118 eram da área de câncer e 140 testavam novos tratamentos para doenças. Boa parte dos trabalhos suspensos era conduzida fora dos Estados Unidos e testava intervenções preventivas ou comportamentais principalmente contra doenças infecciosas, a exemplo de Aids e Covid-19. Em entrevista à plataforma de notícias Fierce Biotech, Patel lembrou que os resultados de ensaios clínicos são fundamentais para a definição de práticas clínicas. “É o que analisamos quando prescrevemos medicamentos ou decidimos sobre tratamentos para pacientes”, disse.

Cerca de 74,3 mil pessoas haviam sido recrutadas para os ensaios que foram paralisados. Uma reportagem do jornal The New York Times havia documentado em fevereiro como os cortes na Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) deixaram em suspenso os participantes de ensaios clínicos em todo o mundo, com compostos experimentais e dispositivos médicos ainda atuando em seus organismos enquanto perdiam o acesso aos pesquisadores que os monitoravam de perto.

Republicar