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Boas práticas

Estudos suspeitos

Uma ferramenta de inteligência artificial que analisa títulos e resumos de artigos científicos apontou mais de 250 mil estudos sobre câncer que podem ter sido produzidos por fábricas de papers, serviços fraudulentos que comercializam estudos sob demanda, às vezes com dados falsos. A análise, divulgada no repositório de preprints bioRxiv, ainda não foi revisada por pares. Os responsáveis pela ferramenta, dois pesquisadores da Austrália e dois da França, treinaram um modelo de linguagem para distinguir entre estudos legítimos e artigos listados como suspeitos de fraude no banco de dados do site Retraction Watch, que reúne papers que tiveram a publicação cancelada por erros ou violações éticas. A precisão na identificação de artigos problemáticos chegou a 91%. Em seguida, o software rastreou 2,6 milhões de estudos sobre câncer presentes no banco de dados do PubMed. Foram sinalizados 261.245 artigos suspeitos.

“Acreditamos que esses números estejam até subestimados”, disse à revista Nature o cientista de dados Baptiste Scancar, do Instituto Agro-Rennes, na França, um dos responsáveis pela análise. Segundo o preprint, a prevalência de artigos falsos em biologia e medicina é estimada em 3%, mas a pesquisa sobre câncer estaria mais sujeita a fraudes pela alta pressão imposta a pesquisadores para publicar resultados. Os criadores da ferramenta enfatizam que especialistas humanos precisam checar se há falsos positivos na lista. Em entrevista à Nature, um porta-voz da Wiley, uma das editoras com estudos sob suspeição, foi nessa linha: “Estamos adotando a mesma abordagem tecnológica, mas verificada por humanos”.

A reportagem acima foi publicada com o título “Ferramenta examina títulos e resumos de artigos de oncologia em busca de indícios de fraude” na edição impressa nº 358 de novembro de 2025.

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