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Brasil

Etnia explica mutação

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) descobriram que às vezes é essencial levar em conta a etnia das pessoas para evitar falsas associações entre alterações genéticas e doenças. Chegaram a essa conclusão após analisarem uma alteração – a seqüência CAA (citosina-adenina-adenina) – no gene Nogo, responsável pelo controle do crescimento das células nervosas. A modificação na estrutura desse gene varia segundo a etnia e não está necessariamente ligada à esquizofrenia, como havia sugerido Philip Seeman, da Universidade de Toronto, no Canadá, em 2002. Em uma pesquisa a ser publicada na Schizophrenia Research, Sheila Gregório, da USP, analisou essa modificação genética em 725 pessoas de etnias diferentes (181 com esquizofrenia e 98 com transtorno bipolar). Ela confirmou: a intromissão da seqüência CAA não se mostrou associada a essas doenças, mas diretamente ligada à etnia. É duas vezes mais comum na população branca (atinge 40%) do que na negra (20%) – e sua proporção é de 30% entre os pardos. “A etnia pode às vezes ser um fator importante que permite dizer se uma alteração genética está ou não associada a uma doença”, diz Sheila.

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