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Internacionalização

Excelência na vitrine

Novos cursos de curta duração buscam mostrar a pesquisadores estrangeiros as oportunidades de atuar em São Paulo

Cinco propostas foram selecionadas na segunda chamada da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), modalidade de apoio da FAPESP que busca aumentar a exposição internacional de áreas de pesquisa de São Paulo já  competitivas mundialmente. O objetivo do programa, lançado em 2009, é criar oportunidades para que pesquisadores de São Paulo organizem cursos de curta duração capazes de trazer ao estado jovens estudantes ou pós-doutores de outros países e regiões, possibilitando a interação com pesquisadores locais e debatendo temas avançados da ciência. Os temas dos cursos selecionados são variados: vão da modelagem das mudanças climáticas à genética, passando pela física quântica, ecologia e supercondutividade.

Em abril de 2011, pouco antes da Páscoa, acontece em São Carlos a Escola Avançada Desafios Modernos com Matéria Quântica: Átomos e Moléculas Frias. A agenda ainda não está completa, mas pelo menos dois vencedores do Nobel deverão vir. “Trata-se de um tema da física atômica e molecular que está rendendo artigos nas melhores revistas  mundiais, como Physical Review Letters, Science e Nature, e propondo desafios fantásticos dentro da física”, explica Vanderlei Salvador Bagnato, professor do Instituto de Física de São Carlos (USP) e coordenador da iniciativa. Além de discutir um tema emergente, o que se busca, segundo o professor, é atrair bons alunos do exterior e de outros estados para atuar em São Paulo. Como acontece em todas as propostas aprovadas, a metade dos alunos convidados virá de outros países e a ambição do programa é que parte deles se candidate a bolsas de pós-doutoramento no Brasil. No rol de atividades, os participantes conhecerão laboratórios de universidades paulistas, como a USP e a Unicamp. “Queremos tornar nossos laboratórios mais internacionais, tanto trazendo alunos do exterior como mandando os nossos para fora. Isso nos força a estar na vanguarda e a ter mais inserção”, afirma.

Modelos climáticos
A proposta da Escola São Paulo em Modelagem das Mudanças Climáticas, programada para acontecer em setembro de 2011, é reunir um conjunto de jovens pesquisadores e estudantes de pós-graduação da América Latina, da Índia e da África do Sul em torno de tópicos de pesquisa inovadores, a serem incluídos no primeiro modelo climático concebido por pesquisadores do hemisfério Sul. “O objetivo é promover uma colaboração Sul-Sul para fomentar o crescimento da comunidade de pesquisadores no campo de modelagem do sistema climático no Brasil, com a participação de países vizinhos, África e Índia”, diz Paulo Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos coordenadores da escola. “A atividade terá duas semanas, tendo como meta que os pesquisadores continuem trabalhando remotamente nos temas de pesquisa elencados durante a escola e apresentando os resultados em futuras edições do evento”, afirma. A necessidade de desenvolver uma nova geração de competência nesse campo se explica: hoje, para projetar os efeitos das mudanças climáticas no Brasil, utilizam-se ferramentas inespecíficas que são recortes da previsão para o mundo inteiro. Coordenada pelo climatologista Carlos Nobre, do  Inpe, a escola em 2011 terá como foco as interações entre continente e oceano. A cada dia, os 40 alunos serão apresentados a um novo tema e, em subgrupos, desafiados a apresentar uma proposta de pesquisa para uma questão relacionada a ele. Entre os  palestrantes, destacam-se nomes como Carlos Nobre, do Inpe, Jagadish Shukla, da Universidade George Mason, e Guy Brasseur, ex-diretor do National Center for Atmospheric Research.

Os avanços no campo da supercondutividade serão o mote da Escola Avançada sobre Materiais Condutores e Supercondutores Anisotrópicos, que vai acontecer em Lorena, interior paulista, em agosto de 2011, ano em que se comemora o centenário da descoberta da supercondutividade. A proposta partiu do grupo liderado por Carlos Alberto Moreira dos Santos, professor do Departamento de Engenharia de Materiais da Escola de Engenharia de Lorena, da USP, que há tempos desejava a realização de um  evento com pesquisadores renomados na área de supercondutividade e materiais supercondutores no Brasil. “A comunidade brasileira que trabalha na área de supercondutividade, principalmente experimental, tem diminuído nos últimos tempos, ao contrário do que acontece no exterior”, diz Carlos dos Santos. “E a gente se ressente do fato de não conseguir trazer pessoas do exterior para trabalhar aqui. Tenho certeza de que a escola vai, inclusive, ampliar a visibilidade dos grupos de pesquisa na área de supercondutividade do estado de São Paulo no exterior”, afirma o professor. Entre os especialistas do exterior que confirmaram presença, figuram, por exemplo, os norte-americanos Zachary Fisk, da Universidade da Califórnia – Irvine, e John J. Neumeier, da Universidade do Estado de Montana.

Trabalho de campo
Uma peculiaridade da Escola Avançada Redes em Ecologia: Teoria, Métodos e Aplicações, que acontecerá em setembro de 2011, é que ela será ministrada dentro de uma estação ecológica. O local ainda está sendo definido. Durante nove dias, os participantes formularão hipóteses e sairão a campo para testá-las. A iniciativa vai abordar conceitos e aplicações de teoria de redes em ecologia, especialmente sobre interações ecológicas, redes espaciais e conservação. Será ministrada por pesquisadores de vários países, entre eles Jordi Bascompte, da Estación Biológica de Doñana, Sevilha,  Marie-Josée Fortin, da Universidade de Toronto, e Timothy Keitt, da Universidade do Texas. Segundo o coordenador da escola, Thomas Lewinson, professor do Instituto de Biologia da Unicamp, o objetivo é estimular a  pesquisa em ecologia baseada na análise e na formulação de dados. “A pesquisa em ecologia cresceu muito nos últimos 20 anos, mas isso se deu principalmente arrebanhando dados. Isso é essencial, mas não suficiente”, diz. “Sem formular hipóteses e testá-las, é o equivalente a ser um fornecedor de commodities.”

A Escola São Paulo de Ciência Avançada – Tópicos Avançados em Genética Molecular Humana será realizada na Unicamp de 28 de fevereiro a 4 de março de 2011. Do exterior virão palestrantes como Charles Lee, da Harvard Medical School, e Christian Kubisch, da Universidade de Ulm, Alemanha. Segundo o reitor da Unicamp, Fernando Ferreira Costa, que coordena a escola, a meta é discutir os dados mais recentes no campo da genética em relação a moléstias como câncer e doenças genéticas das hemoglobinas e neurológicas. “A intenção é discutir os métodos mais modernos e as consequências que terão no diagnóstico e no tratamento de doenças, além de estreitar a relação dos pesquisadores brasileiros dos grandes centros do exterior”, diz Costa.

Outras duas propostas foram pré-selecionadas, mas dependem de complementação de documentos ou informações para finalização da análise. Uma delas, no campo da genética bovina, é coordenada por Luciana Regitano, da Embrapa Pecuária Sudeste. A outra, apresentada por Ohara Augusto, do Instituto de Química da USP, relaciona-se a processos de oxidação que envolvem a formação de radicais livres.

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