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Neurologia

Falha na produção

Estudo detecta variação cromossômica bem acima do esperado em neurônios

Arquivo Stevens Kastrup RehenOs anormais: há três cromossomos 2 (vermelho) e apenas um 15 (azul claro) e 17 (esverdeado). O cariótipo normal de neuroblasto de rato tem 20 pares de cromossomosArquivo Stevens Kastrup Rehen

Num sistema nervoso normal, os neurônios devem possuir um genoma idêntico. Seu cariótipo deve ser composto pelo mesmo número de cromossomos. É o que diz a teoria. Na prática, a realidade pode ser mais complexa, como mostra o resultado de um estudo feito por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em San Diego, Estados Unidos, com participação do brasileiro Stevens Kastrup Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que faz pós-doutorado na instituição norte-americana. O trabalho revela que um terço dos neuroblastos, células precursoras dos neurônios, de embriões de camundongos apresentam uma quantidade variável de cromossomos.

Em vez dos esperados 40 cromossomos, 33% dos mais de 200 neuroblastos analisados continham cromossomos a mais ou a menos do que o padrão. “Esse nível de aneuploidia (variação no número de cromossomos) é dez vez maior do que o padrão aceito na citogenética convencional”, diz Rehen, que está publicando o trabalho na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Nos linfócitos, um tipo de glóbulo branco do sangue, a taxa de aneuploidia é de 3%.

As medições foram feitas durante a mitose dos neuroblastos, processo de divisão de seu núcleo, que se parte e gera duas células-filhas. Quando a mitose é perfeita, as células-filhas têm o mesmo número de cromossomos da célula-mãe. Pelos dados da pesquisa, esse processo apresenta muitas imperfeições no caso dos neuroblastos. Felizmente, o destino da maioria desses neuroblastos com cromossomos a mais ou a menos é morrer à medida que o organismo cresce. Tanto que os níveis de aneuploidia em neurônios, os sucessores dos neuroblastos, de camundongos adultos é significativamente menor, da ordem de 10%. Menor, mas não desprezível. Rehen acredita que a maior prevalência de aneuploidia em neurônios adultos pode ser um indicativo de maior predisposição a doenças neurodegenerativas.

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