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Sociedade

Falsa sensação de imunidade

Compreender a representação social que as mulheres casadas, em situação de pobreza, possuem sobre a Aids. Este é o objetivo do artigo “Mulheres de Camaragibe: representação social sobre a vulnerabilidade feminina em tempos de Aids”, escrito por Ana Maria do Nascimento e Constança Barbosa, ambas do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães da Fundação Oswaldo Cruz, e Benedito Medrado, do Instituto Papai, em Recife (PE). No Brasil, começaram a ser identificados os primeiros casos de Aids no início dos anos 80, e hoje não há uma epidemia uniforme, mas um conjunto de microepidemias regionais. Por conta disso, o objetivo do artigo é contribuir para que o enfrentamento da epidemia ocorra de forma mais sintonizada com a realidade em que a doença ocorre. Foram realizadas uma série de entrevistas com mulheres que apresentavam relação conjugal estável. Com base nas respostas do questionário, os pesquisadores observaram um aumento da vulnerabilidade feminina frente à infecção pelo vírus HIV. “Baseado na representação social que essas mulheres têm da doença, suas percepções acabam por lhes fornecer uma falsa sensação de imunidade, pois elas não se encaixam dentro do perfil que imaginam como sendo de quem apresenta a doença”, diz o estudo. Segundo o artigo, o perfil epidemiológico atual da Aids aponta a mulher como o principal alvo da infecção. “Isso ocorre principalmente por meio das relações sexuais, que são ditadas pelas relações de gênero”, acreditam os autores. “Para elas a doença é um mal distante. E pensar a Aids como condição exclusiva de outras pessoas viabiliza o trânsito da epidemia de forma silenciosa e imperceptível. A doença se torna realidade quando transformada em um mal irremediável”, alertam as autoras.

Revista Brasileira de Saúde Materna Infantil, VOL. 5, Nº1 Recife, JAN./MAR. 2005

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-38292005000100010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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