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Cooperação

Flerte promissor

Brasil e Canadá assinam protocolo de intenções na área de C&T, primeiro passo para um acordo formal

EDUARDO CESAREstudos sobre a biodiversidade brasileira: uma das áreas que podem gerar parcerias com o CanadáEDUARDO CESAR

Em novembro de 2005, o Canadá assinou um acordo de cooperação científica e tecnológica com a Índia e, em janeiro deste ano, firmou uma parceria semelhante com a China. Depois de estreitar os laços na área de pesquisa e desenvolvimento com as duas economias emergentes mais badaladas da atualidade, o discreto gigante gelado da América do Norte mira agora outra vedete do clube dos ascendentes, o Brasil. Ainda não foi fechado um acordo nesses moldes entre Brasília e Ottawa, mas o primeiro passo nesse sentido foi dado no fim do mês passado: os governos de ambos os países assinaram um protocolo de intenções para pavimentar o caminho rumo a uma parceria bilateral na área de ciência, tecnologia e inovação. “Precisamos estabelecer áreas de interesse mútuo para atuarmos como forças complementares na pesquisa e na inovação”, afirma Arthur Carty, conselheiro nacional do governo do Canadá para a área de C&T. “A economia brasileira vai crescer cada vez mais e queremos estabelecer logo uma parceria estratégica com o país.”

O protocolo foi firmado durante o Fórum Canadá-Brasil de Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação, realizado na cidade de São Paulo, entre 21 e 22 de março. Segundo o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antonio Rodrigues Elias, que representou o governo brasileiro no evento e assinou o protocolo, grupos de trabalho estão sendo criados para delimitar os setores prioritários para cada país e difundir informações entre as universidades, institutos de pesquisa e empresas dos dois países. “Vamos estimular a capacitação de recursos humanos nos dois países e promover o intercâmbio em algumas áreas específicas”, diz Elias. De acordo com o embaixador do Canadá no Brasil, Guillermo Rishchynski, o acordo formal entre as duas nações deverá ser sacramentado ainda neste ano.

Biocombustíveis
O setor nacional de biocombustíveis, em especial a hoje tão badalada produção de etanol, é um dos que despertam maior interesse dos canadenses. “O Brasil é forte na obtenção de álcool de cana-de-açúcar há muitos anos e nós temos duas ou três empresas com bom domínio da geração de combustíveis a partir de biomassa”, comenta Carty. “Acho que é um campo em que poderemos com certeza desenvolver esforços complementares”. Ainda no setor energético, Carty diz que a aproximação formal entre os dois países poderá estimular parcerias entre empresas do setor petrolífero.

“A Petrobras, por exemplo, tem grande conhecimento da extração de petróleo em águas marítimas profundas enquanto nós temos experiência na retirada de óleo de areias betuminosas (chamadas em inglês de oil sands) na província de Alberta”. Na visão do conselheiro nacional do governo do Canadá para C&T,  os estudos sobre biodiversidade e as pesquisas para desenvolvimento de softwares são outros dois campos promissores para fomentar iniciativas bilaterais, tanto no plano mais acadêmico como no âmbito eminentemente empresarial.

Apesar da pequena população de 33 milhões de habitantes, o Canadá, que tem um território maior do que o do Brasil, é dono da oitava economia do mundo. Seu peso na produção de artigos publicados em revistas científicas indexadas pela base de dados do Institute for Scientific Information (ISI) gira em torno de 4%, mais do que o dobro da  participação brasileira nesse ranking, que não chega a 2%.

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