Pesquisadores da área de medicina nuclear responderam a uma enquete sobre eventuais experiências relacionadas a fraudes e manipulações de imagens médicas em estudos científicos – quatro em cada 10 afirmaram já ter testemunhado esse tipo de prática entre os colegas e 13,7% admitiram que eles próprios adulteraram imagens nos cinco anos anteriores. As formas comuns relatadas desse tipo de má conduta foram a apresentação seletiva de imagens não representativas para apoiar conclusões enviesadas (48,3%), duplicação ou reutilização de imagens sem autorização adequada (20,9%) e retoque de imagens de modo a deturpar dados ou descobertas (19,1%).
Os motivos mais citados para cometer os desvios éticos foram a pressão para publicar em revistas de alto impacto (30,3%), a competição por financiamento e posições acadêmicas (23,4%) e a expectativa de gerar imagens visualmente atraentes (22,5%). A maioria dos entrevistados, contudo, negou que o ambiente de trabalho tenha uma influência direta nesse tipo de fraude: 90,8% deles relataram que nunca se sentiram pressionados por colegas, supervisores ou revisores dos artigos científicos a alterar imagens de modo a comprometer seus resultados.
O levantamento, publicado em agosto no European Journal of Nuclear Medicine and Molecular Imaging por radiologistas dos Países Baixos, entrevistou 284 pesquisadores, recrutados entre autores de três revistas científicas da área de medicina nuclear, na maioria médicos europeus do sexo masculino com mais de 10 anos de experiência profissional. Três participantes (1,1%) admitiram ter usado programas de inteligência artificial para falsificar imagens médicas em publicações, enquanto oito (2,8%) disseram ter testemunhado colegas cometendo esse tipo de trapaça. “A fraude em imagens em pesquisas de medicina nuclear parece ser relativamente prevalente”, escreveram os autores, vinculados à Universidade de Groningen e ao Centro Médico de Zuyderland, na cidade de Sittard-Geleen. “Os resultados destacam a necessidade de promover uma cultura de integridade em pesquisa e medidas preventivas rigorosas, incluindo maior conscientização e políticas mais rígidas para periódicos.”
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