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Fosso salarial

Editores científicas pagam mais a funcionários do sexo masculino no Reino Unido, mas desigualdade tem redução

Um artigo de opinião publicado na revista PLOS Global Public Health expôs a evolução dos salários pagos a homens e a mulheres em oito editoras científicas em atividade no Reino Unido. Tais informações estão disponíveis porque qualquer organização com mais de 250 empregados no Reino Unido é obrigada a informar publicamente sua disparidade salarial por gênero. Todas as empresas analisadas pagam mais para os homens. Embora a diferença média entre as remunerações de funcionários dos sexos masculino e feminino no conjunto das editoras tenha caído de 18,4% em 2017 para 11,4% em 2024, os dados variam bastante de uma companhia para outra.

Os números mais elevados são os da editora Elsevier: a desigualdade salarial entre gêneros caiu de 40,4% em 2017 para 32,8% em 2024. E os mais baixos foram os da editora Springer-Nature, que exibiu uma queda de 12,9% para 9,5% no período. Em alguns casos, a diferença aumentou. Na editora Taylor & Francis, subiu de 22,4% para 22,7% entre 2017 e 2024 e no grupo BMJ, de 3,1% em 2019 (não há dados antes desse ano) para 11,9% em 2024.

De acordo com as autoras do estudo, Jocalyn Clark, editora da revista científica BMJ (British Medical Journal), e Elizabeth Zuccala, editora do Medical Journal of Australia, as diferenças salariais entre gêneros não significam que se paguem remunerações diferentes para homens e mulheres no desempenho de uma mesma função, porque isso é ilegal no Reino Unido. Segundo afirmam, as disparidades revelam a predominância de homens em cargos de alto escalão e com remuneração mais alta. “As diferenças podem sugerir discriminação no acesso a empregos com melhor remuneração e são um indício de como as mulheres estão sendo subvalorizadas por seus empregadores”, escreveram Clark e Zuccala, que, na declaração de conflito de interesses do estudo, relataram ter trabalhado juntas na revista The Lancet, publicada pela editora Elsevier.

No site do governo do Reino Unido em que os dados sobre a desigualdade salarial são expostos, as empresas têm a chance de mostrar o que estão fazendo para combater o problema. Embora não trate diretamente do problema, a editora Elsevier declarou estar comprometida com esforços para ampliar a inclusão no ambiente de trabalho. “A inclusão está no cerne da maneira como trabalhamos, pensamos e administramos nossos negócios para os 9.500 colegas em todo o mundo e para as comunidades que atendemos”, afirmou a diretora-executiva da editora, Kumsal Bayazit. Já a Springer-Nature foi mais específica: informou que, em 2018, estabeleceu metas para o aumento da proporção de mulheres nos níveis hierárquicos mais elevados e, como resultado disso, no primeiro trimestre de 2024, 45% dos cargos nos três níveis mais altos de liderança eram ocupados por mulheres, que também respondem pela metade da composição de seu Conselho de Administração.

 

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