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Paleontologia

Hábitos gregários de um réptil herbívoro

Concepção artística de um bando de Dinodontosaurus filhotes

Márcio L. Castro

Sempre se especulou que Dinodontosaurus, um dos maiores répteis herbívoros que viveram no Triássico, entre 250 e 200 milhões de anos atrás, andavam em grandes bandos para se proteger do ataque de predadores, como os répteis Prestosuchus e Decuriasuchus, parentes dos atuais crocodilos e jacarés. A suspeita ganha força agora com uma descoberta recente de pesquisadores do Rio Grande do Sul. Em escavações em sítios paleontológicos próximos à cidade de Santa Maria, no centro do estado, eles encontraram remanescentes fósseis de pelo menos seis filhotes de Dinodontosaurus aglomerados uns sobre os outros. Havia crânios e pedaços de mandíbulas misturados com os ossos das patas, além de vértebras e costelas (Historical Biology, 15 de outubro). Esses répteis mediam aproximadamente 2,5 metros de comprimento e podiam pesar até 500 quilos. Também tinham presas semelhantes às do icônico tigre-dentes-de-sabre. Ainda assim, esses grandalhões eram bastante vulneráveis ao ataque de predadores, daí a importância de viver em manadas, um hábito comum entre os herbívoros atuais. A aglomeração possivelmente contribuía para a proteção dos adultos do bando e favorecia a sobrevivência dos filhotes. Segundo os pesquisadores, os fósseis encontrados reforçam a suspeita de que esse comportamento social teria surgido entre os répteis, muito antes da origem dos mamíferos.

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