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Fibra óptica

Informação num feixe de laser

FAPESP e Padtec buscam soluções inovadoras para telecomunicações

PADTEC

Fibra óptica: informações em alta velocidade para atender novas demandas do mercado PADTEC

A fibra óptica é um filamento de vidro ou de materiais poliméricos flexíveis que transporta um sinal de luz. É considerada a única tecnologia capaz de fazer trafegar informações em alta velocidade, compatível com a demanda de sistemas de comunicações complexos, que envolvem voz, dados e internet. Essa tecnologia movimenta um mercado mundial de US$ 80 bilhões, dentro de um negócio total de telecomunicações de US$ 3 trilhões. No Brasil, apesar da competência acumulada ao longo de mais de 30 anos (ver página 24), ela é responsável por uma receita de US$ 200 milhões, dentro do faturamento total de equipamentos de telecomunicações de US$ 8 bilhões. “E ainda é decrescente”, diz Jorge Salomão, presidente da Padtec S.A., empresa sediada no Pólo de Tecnologia do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). “A pesquisa em comunicação óptica não criou uma base industrial expressiva”.

A Padtec, porém, cresce na contramão do mercado: é o maior fabricante de equipamentos para comunicação óptica do Brasil e o seu faturamento dobra a cada ano, desde 2004. A empresa – que é uma espécie de ‘braço industrial’ do CPqD – aposta agora no desenvolvimento de tecnologias e soluções relacionadas a redes ópticas. No dia 12 de junho firmou convênio por um período de cinco anos com a FAPESP, no valor de R$ 40 milhões – divididos entre os dois parceiros. O acordo foi firmado no âmbito do programa Pesquisa em Parceria para a Inovação Tecnológica (Pite) e tem o objetivo de apoiar pesquisas em telecomunicações e comunicação óptica e formar recursos humanos. Os projetos envolverão universidades de institutos de pesquisa paulistas e serão desenvolvidos de forma cooperativa com a equipe de especialistas da Padtec.

A primeira chamada de propostas contará com recursos de R$ 8 milhões. “É o maior acordo de cooperação entre a FAPESP e uma empresa”, sublinhou Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação, durante cerimônia de assinatura do convênio, no dia 12 de junho, a que também esteve presente o vice-governador, Alberto Goldman. “O convênio é ambicioso e oferece prazos e investimentos que permitem busca de pesquisas muito sofisticadas na área”, sublinha Brito Cruz.

A expectativa é que o acordo resulte na geração de novas tecnologias para o mercado de telecomunicações, atualmente disputado por empresas globais. “A parceria com a FAPESP aumenta a possibilidade de desenvolvermos novos produtos, afinal os pesquisadores brasileiros são capazes de vencer qualquer desafio em comunicação óptica”, afirma Hélio Graciosa, presidente do CPqD.

O convênio com a FAPESP será uma espécie de catalisador entre a pesquisa científica e as necessidades de mercado, alinhando-se assim a um dos princípios que orientam a atuação da Fundação, o de apoiar pesquisas conectadas à sua aplicação. “Esse acordo revela o papel estratégico que a FAPESP tem tido no desenvolvimento da economia de São Paulo e do Brasil”, afirmou Goldman.

Os projetos de pesquisa terão como foco o desenvolvimento de sistemas com tecnologia de multiplexagem por divisão de comprimento de onda densa, conhecida como DWDM, da sigla em inglês, que consiste na transmissão de múltiplos canais ópticos em uma única fibra, multiplicando a sua capacidade de transmissão de dados em terabits por segundo. “A internet moderna precisa cada vez mais de velocidade de transmissão para ser eficiente”, diz Salomão.

Parceiros qualificados
Desde a sua criação, em 2001, a Padtec busca soluções inovadoras para o mercado de comunicação óptica, soluções para redes de alto desempenho, incluindo sistemas metropolitanos, acesso e storage. A empresa é parceira tanto de grandes operadoras de telecomunicações, concessionárias públicas e privadas e de empresas integradoras de sistemas quanto de institutos de pesquisa, como o de Física e de Engenharia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A FAPESP também já apóia vários projetos de pesquisa na área de comunicação óptica, como o KyaTera – no âmbito do Programa Tidia (Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada) -, que interliga por meio de fibras ópticas dezenas de laboratórios no estado, permitindo o desenvolvimento de pesquisas sobre aplicação de internet avançada, e o Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CePOF), em Campinas, um dos 11 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid). “Hoje exige-se maior largura de banda e a única saída é a fibra óptica”, diz Brito Cruz. “Esperamos dos pesquisadores uma resposta ousada, de grande impacto. Se escolhermos bem os projetos, e se um ou dois resultarem em bons produtos para o mercado, a Padtec ganhará competitividade internacional”, prevê Brito.

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