
De volta ao Brasil, onde já dava aulas na USP desde 1977, Castro Neto enfrentou um outro problema, a dificuldade em importar componentes ópticos, como prisma e lentes de precisão, para fazer seus experimentos. Na época o país ainda estava fechado a importações. Foi então que decidiu montar em 1983, dentro do Instituto de Física, uma fábrica de componentes ópticos, chamada de oficina de óptica e que existe até hoje. “Foi uma verdadeira revolução nas pesquisas de óptica no Brasil”, relata. “Colegas começaram a utilizar a oficina e com o tempo fomos procurados pela indústria para a produção de instrumentos ópticos.” Em função do grande interesse despertado pela oficina, Castro Neto e outros dois alunos e dois técnicos decidiram criar a Opto Eletrônica. No início a empresa fabricava componentes ópticos para indústrias e com o tempo passou a produzir instrumentos para a área médica, o programa espacial brasileiro e os sistemas de defesa nacional. As câmeras dos satélites Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers 3 e 4), por exemplo, foram desenvolvidas e fabricadas pela Opto.

Castro Neto: professor e empresárioarquivo pessoal
A procura pelos produtos de alta tecnologia da empresa resultou em um faturamento da ordem de R$ 100 milhões em 2010, época em que possuía 450 funcionários. A partir daí o quadro mudou. “O baixo crescimento econômico do Brasil afetou principalmente as indústrias de alta tecnologia, como a Opto”, diz Castro Neto. Em julho de 2012 os sócios contrataram gestores profissionais e, com isso, o presidente afastou-se da empresa, onde permaneceu apenas como sócio, e resolveu se dedicar a novos projetos na universidade, entre os quais a montagem de um laboratório de inovações ópticas para a agricultura. Um dos projetos desenvolvidos em parceria com a Embrapa Instrumentação, de São Carlos, resultou em um equipamento óptico portátil que pode ser levado a campo para detectar o greening (doença sem cura que ataca as plantações de laranja) na fase assintomática. “Estão sendo feitos testes em campo e já existe uma empresa interessada em produzir o aparelho”, relata.
Castro Neto participou ainda da criação de outras pequenas empresas em sociedade, que hoje continuam ativas e em crescimento, mas ele não faz mais parte de nenhuma delas. E, durante todo o tempo em que presidiu a Opto, também continuou a dar aulas na USP e a publicar artigos. “Na universidade é onde tudo acontece, o conhecimento, as trocas, o rejuvenescimento de ideias.” Para Castro Neto, se antes a atuação do físico era restrita à universidade, hoje esse profissional é cada vez mais importante para o desenvolvimento tecnológico brasileiro.
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