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SciELO

Médicos e abortos

Foram estudados o conhecimento e a opinião de ginecologistas e obstetras acerca do aborto induzido, comparando resultados de dois inquéritos, realizados em 2003 e 2005. Foi aplicado um questionário estruturado e pré-testado enviado a todos associados à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Perguntou-se sobre conhecimento da legislação referente ao aborto no Brasil e opinião sobre ela. O artigo sobre a pesquisa “Variações no conhecimento e nas opiniões dos ginecologistas e obstetras brasileiros sobre o aborto legal, entre 2003 e 2005” foi escrito por Anibal Faúndes, da Universidade Estadual de Campinas, Graciana Alves Duarte e Maria José Duarte Osis, do Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas, e Jorge Andalaft Neto, da Febrasgo. Nos dois inquéritos, a porcentagem de médicos que sabiam quais as circunstâncias em que o aborto não é punido esteve acima de 80%. Porém houve redução significativa na porcentagem daqueles que conheciam a legalidade do aborto por risco de vida. Aumentou em mais de um terço a proporção dos que responderam que sabiam que o aborto por má-formação congênita grave não está dentro dos permissivos legais atuais. Cresceu consistentemente a porcentagem de médicos favoráveis à permissão do aborto em várias circunstâncias e diminuiu a proporção dos que consideravam que não deveria ser permitido em nenhuma circunstância. De modo geral, tem havido maior reflexão sobre o problema do aborto provocado no período transcorrido entre os dois inquéritos. Entretanto continua se evidenciando a necessidade de informar corretamente os gineco-obstetras brasileiros sobre as leis e normas que regulamentam a prática do aborto legal no país, visando assegurar que as mulheres que necessitam tenham, de fato, acesso a esse direito.

Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia – v. 29 – nº 4 – Rio de Janeiro – abr. 2007

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