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Tecnociência

O perigoso conforto das cobaias

Cresce o movimento em defesa dos animais de laboratório e a Comissão Européia, órgão executivo da União Européia, prepara recomendações para melhorar as condições das gaiolas de roedores e coelhos. Camundongos, por exemplo, terão de ter ninhos mais parecidos com os naturais, enquanto os porquinhos-da-índia deverão ganhar gaiolas equipadas com lugares para se esconder, como tubos e cabanas. Só que essas melhorias todas poderão ter um sério efeito colateral para a pesquisa. Um estudo realizado na Universidade de Oxford, Inglaterra, e publicado no Annals of Neurology (vol. 51, pág. 235) indica que o aprimoramento das condições de vida dos animais de laboratório modifica seu comportamento e fisiologia, o que pode interferir diretamente no resultado do trabalho.

“Em todos os experimentos nos quais se está medindo comportamento, é necessária uma padronização bem limitada das condições”, explica Emma Hockly, coordenadora do estudo. Em um teste de coordenação motora, os ratos nas gaiolas mais confortáveis se saíram muito melhor que aqueles confinados nas gaiolas padrão. Assim, a menos que se padronizem as condições ambientais, tais mudanças aumentarão as dificuldades para se comparar os resultados de diferentes experimentos. Se houver muitas variáveis ambientais, será necessário testar mais animais para garantir valor estatístico aos resultados.

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