Desde 2021, 204 artigos de pesquisadores de universidades e instituições sul-coreanas foram alvo de retratações devido a indícios de uso não declarado de programas de inteligência artificial generativa em sua elaboração. O dado faz parte de um levantamento produzido por Kim Wan-jong, pesquisador do Centro de Serviços de Dados do Instituto Coreano de Informação Científica e Tecnológica (Kisti), em colaboração com o jornal sul-coreano The Dong-A Ilbo, com base em informações do site Retraction Watch. A retratação é a invalidação de um estudo científico após sua publicação, devido à descoberta de erros graves ou de violações éticas.
As primeiras retratações por uso de inteligência artificial surgiram em 2022, com nove registros. Bastou o ChatGPT chegar e se firmar para, no ano seguinte, elas escalarem para 195. Entre os artigos invalidados, há ao menos um assinado por autores da Universidade Nacional de Seul, a instituição mais bem conceituada do país, dois da Universidade da Coreia e um da Universidade Yonsei, todas localizadas na capital. Por área acadêmica, mais de 80% tratavam de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, enquanto os quase 20% restantes abordavam humanidades e ciências sociais, incluindo administração. “Como o uso de inteligência artificial vem se tornando inevitável no processo de redação de artigos científicos, diretrizes claras e detalhadas para sua utilização são urgentemente necessárias”, disse Kim Wan-jong ao The Dong-A Ilbo. Segundo a análise dos 204 casos, 80% provavelmente foram produzidos por fábricas de papers, empresas que elaboram artigos falsos, manipulados ou de baixa qualidade para pesquisadores ou instituições mediante o pagamento de taxas.
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