Há uma percepção entre cientistas do mundo inteiro de que a pressão para publicar artigos científicos continua crescendo, enquanto o tempo e os recursos disponíveis para trabalhar estão mais limitados, conforme mostrou um levantamento elaborado pela empresa Elsevier. O relatório “Pesquisador do futuro 2025” entrevistou 3.200 pesquisadores de 113 países.
Para 68% dos entrevistados, a cobrança no ambiente de trabalho para publicar resultados de pesquisa é maior hoje do que há dois ou três anos – na Ásia e na América do Sul, a proporção dos que sentem esse peso supera os 85% dos consultados. Apenas 45% disseram ter tempo suficiente para pesquisa e só 33% declararam ter expectativa de que seu campo do conhecimento vá receber mais financiamento. Nos Estados Unidos, essa esperança é compartilhada por apenas 11% dos ouvidos em um provável reflexo dos cortes drásticos de recursos para a ciência no governo de Donald Trump.
O levantamento fez algumas perguntas relacionadas à integridade na pesquisa. Para 74% dos entrevistados, a revisão por pares continua sendo essencial para garantir que a ciência seja fidedigna e, na avaliação de 85% dos respondentes, correções e retratações de artigos são ferramentas fundamentais para garantir a confiança na produção do conhecimento.
De acordo com o estudo da Elsevier, 58% dos cientistas consultados acreditam que as ferramentas de inteligência artificial (IA) podem ajudá-los a otimizar o tempo de trabalho, seja encontrando e resumindo textos científicos, realizando revisões de literatura, analisando dados ou auxiliando na elaboração de propostas de financiamento ou de artigos. Mas apenas 32% consideram que sua instituição faz um bom gerenciamento de IA e somente 27% afirmam ter treinamento suficiente para usar a tecnologia.
O inquérito também se debruçou sobre a mobilidade de pesquisadores das duas maiores potências da ciência. Cerca de 40% dos entrevistados nos Estados Unidos considerariam emigrar, um aumento de 16 pontos percentuais em relação a uma pesquisa semelhante realizada pela Elsevier em 2022. Apenas 13% dos pesquisadores na China cogitam fazer o mesmo, uma queda de 22 pontos na comparação com 2022. “A China se tornou muito mais atraente para os cientistas chineses, enquanto o governo dos Estados Unidos tem sido hostil como nunca aos cientistas, especialmente nos temas em que tem opinião divergente e no que diz respeito à diversidade e inclusão”, disse à revista Nature Jacco van Loon, astrônomo da Universidade de Keele, no Reino Unido. Uma pesquisa da Nature realizada em março mostrava que 75% de 1.600 cientistas norte-americanos entrevistados estavam buscando emprego na Europa e no Canadá após a eleição de Trump.
Republicar