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Boas práticas

Plágio castigado

Suprema Corte da Espanha condena pesquisador da área de teoria literária por copiar obras de um colega

O Supremo Tribunal da Espanha, a mais alta corte do país, condenou Francisco Álamo Felices, professor da Universidade de Almería, na Andaluzia, por “plágio em larga escala” de textos de um colega de departamento com quem ele havia colaborado anteriormente. A Corte ratificou a decisão de um tribunal provincial, que fora bem mais contundente na sentença ao afirmar que Felices, “ao plagiar vários artigos em diferentes momentos, revelou uma atitude parasitária sistemática e consciente e um desejo de apropriação”.

O caso remonta a 2019, quando José R. Valles Calatrava, outro professor da universidade, processou Felices por violação de direitos de propriedade intelectual, acusando-o de escrever dois livros e sete artigos copiando trechos de suas obras. Os trabalhos de Calatrava são da década de 1990, enquanto os textos de Felices acusados de plágio foram publicados mais recentemente, entre 2009 e 2017.

Felices negou o delito. De acordo com o site Retraction Watch, ele alegou que os textos simplesmente expandiram verbetes de um livro que escreveu em coautoria com Calatrava, o Diccionario de teoría de la narrativa. Os dois também escreveram juntos a obra Fundamentos de la semiótica narrativa, publicada em 2000. Segundo argumentou, ele fez referências diretas e indiretas às obras originais, seguindo “os procedimentos padrão de citação e bibliografia”. Afirmou, ainda, que os textos continham “uma pequena parcela do vocabulário utilizado na disciplina e empregado em todas as obras relacionadas ao tema, o que exclui a possibilidade de plágio”. O Supremo Tribunal determinou que o professor retire de circulação os dois livros e solicite a retratação dos sete artigos plagiados, além de pagar a Calatrava € 5.000 a título de indenização por danos morais.

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