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Inovação

Prontos para a luta

Noventa empreendedores do PIPE se capacitam para a gestão de negócios

Ao longo de cinco meses 90 empreendedores com projetos financiados pelo Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP reuniram-se oito vezes para se informar sobre marketing, logística, liderança, entre outros temas relacionados ao mercado. O objetivo era ampliar a visão de mercado, elaborar um plano de negócios e preparar suas empresas para investimentos de risco. Eles formaram a primeira turma do programa PIPE Empreendedor – fruto de parceria entre a FAPESP, o Instituto Empreender Endeavor e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP). Os encontros foram coordenados pelo W. Institute.

Os resultados do programa foram além dos objetivos e surpreenderam. Os “pipos” – como eles passaram a se autodenominar – identificaram sinergias entre suas atividades e produtos e iniciaram a articulação de parcerias consideradas estratégicas para a evolução de seus negócios.

A Fumito, por exemplo, empresa que desenvolve equipamentos e métodos para a desidratação de frutas e legumes, está firmando parceria com a Enalta Inovações Tecnológicas, que produz plataforma tecnológica para irrigação de precisão em culturas perenes. “Vamos juntos desenvolver um controlador”, diz Julio Suzuki, da Fumito.

A Fumito também vai assessorar a Orbital, empresa que produz geradores fotovoltaicos para aplicações aeroespaciais, na construção de “salas limpas” – com baixa concentração de microorganismos – para o desenvolvimento de novos produtos.As associações se multiplicam. A Orbital articula parceria com a ADTS, que desenvolve sensores inteligentes com aplicações no setor elétrico, para a construção de sistema de medição remota. E a ADTS, por sua vez, negocia projetos comuns com a Tecnima Imagem e Automação.

A sinergia entre os “pipos” deverá até gerar uma nova empresa para a comercialização de cosméticos fitoterápicos, resultado de uma associação entre a Synergia, empresa de produtos de tecnologia para a área financeira, e a Multi Vegetal, fabricante do produto. “Já fizemos testes de venda e o cosmético teve boa aceitação”, afirma Mamede Augusto Machado da Silveira, da Synergia. A meta é montar uma rede de vendas nacional do produto e, ao mesmo tempo, criar um mercado virtual. “E aí é que entra a expertise da Synergia”, explica Mamede.

Os “pipos” também se articulam para tentar contornar um problema comum e considerado crítico para a consolidação das empresas: estratégia de venda do produto. Planejam criar um consórcio de empresas PIPE com afinidades tecnológicas para bancar “vendedores qualificados, especializados em vender tecnologia brasileira”, diz Arnaldo Sima, diretor da Sima, empresa de gerenciamento estratégico de negócios. “A idéia começou a ser discutida e está sendo muito bem recebida pelos ‘pipos'”, diz Sima.

Investimento de risco
Além de promover a integração entre empreendedores, o programa ampliou a visão do negócio, na avaliação dos participantes. “O curso abriu nossa cabeça para a possibilidade do investimento de risco e nos fez pensar sobre o que significa ser proprietário de um negócio. Agora estamos preparados para conviver com estranhos”, diz José Carlos Arruda Alves, diretor da Invernire, referindo-se à possibilidade de formar parceria com investidores privados.

Ao final do programa, no dia 16 de julho, os empreendedores participaram de sessões individuais de aconselhamento com investidores e consultores que integram a rede de colaboradores do Endeavor, formada por profissionais de organizações de sucesso. Nesses encontros, os “pipos” puderam testar seu modelo de negócio. “Estamos mudando o perfil de venda de software para serviços”, diz Sérgio Aramis, da Dentalis Software. Ele apresentou seu projeto a Mordejai Goldenberg, da Eccelera – que integra a rede de colaboradores do Endeavor -, que, segundo ele, validou seu projeto e sugeriu “que ajustássemos o foco” às demandas do mercado.

Jadir Nogueira Gonçalves, presidente da Fibraforte – empresa que desenvolve ferramentas para a otimização de estruturas e que atua no segmento espacial -, também está redirecionando sua empresa. “Temos dificuldades de vender nossa expertise e esse encontro nos fez enxergar melhor a necessidade de ampliar a capacidade de venda por canais para não ficarmos cativos de um só setor”, afirmou.

A avaliação também foi positiva entre os empresários que integram a rede de colaboradores do Endeavor. Martin Escobari, da consultoria financeira Orange Advisory, acredita que alguns empreendimentos já estejam prontos para investimentos de risco. Lamenta que ainda existam tão poucos angel investors, no país dispostos a aportar capital em empresas emergentes. “Precisamos divulgar os casos de sucesso para atrair esse tipo de investidor”, sugere.

Daniel Baldin, da Decisão – empresa que administra fundo de capital de risco formado com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Sebrae e ABN Amro Bank, num total de R$ 22 milhões -, aposta que “as chances de nascerem bons frutos é grande”. Acredita, no entanto, que o empreendedorismo deveria ser difundido e divulgado na universidade para que a oportunidade de iniciar um negócio fosse antecipada. Mario Bethlem – que foi gerente-geral da IBM no Brasil e hoje integra a GA Partners – também acredita no empreendedorismo. “A força da economia está mais nessas pequenas empresas do que na existência das grandes corporações.”

Na avaliação de Marilia Rocca, diretora-geral do Endeavor, o PIPE Empreendedor comprova uma tese: “O nivelamento do conhecimento técnico, somado ao aconselhamento por especialistas e a facilidades de acesso ao mercado resulta o amadurecimento do negócio e do próprio empreendedor”.

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