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Meio ambiente

Proteção à biodiversidade

Projeto Biota-Pará elabora lista de espécies ameaçadas de extinção

A biodiversidade no Estado do Pará começa a ser avaliada pelo Conservation International do Brasil e o Museu Paraense Emílio Goeldi. Esse diagnóstico, batizado de Projeto Biota-Pará, tem como objetivo subsidiar decisões políticas sobre a conservação e o uso da biodiversidade na região. O levantamento estará concluído em quatro anos e tem orçamento total de R$ 1,3 milhão. O primeiro produto das pesquisas, que deverá ser divulgado ainda este ano, é uma lista de espécies ameaçadas de extinção. Dez pesquisadores já estão reunindo informações sobre a distribuição geográfica, ecológica, comportamento e densidades populacionais de cada uma das espécies candidatas, usando como base estudos, consultas a coleções de referência e sínteses de estudos de campo ainda não publicados. “Numa segunda fase, cerca de 50 pesquisadores farão a análise crítica dessa relação de espécies candidatas à extinção durante um workshop, para elaborar uma lista final”, diz José Maria Cardoso da Silva, diretor para a Amazônia da Conservation International do Brasil. Entre as atuais espécies encontradas no Pará e que constam na lista oficial de animais brasileiros ameaçados de extinção estão a ararajuba, o guará, a arara-azul-grande, o sagüi-branco e o cuxiú-de-nariz-branco, entre outros. A lista de espécies ameaçadas, a primeira a ser elaborada no Estado, é um dos instrumentos básicos previstos na Lei 6.462, de 4 de julho de 2002, que dispõe sobre a Política Estadual de Florestas.

O segundo produto do Biota-Pará será um diagnóstico da biodiversidade do Centro de Endemismo Belém — assim qualificado por abrigar espécies endêmicas, que não ocorrem em nenhuma região do planeta -, localizado no extremo leste do bioma da Amazônia e que incorpora todas as florestas e ecossistemas associados a leste do rio Tocantins e toda a Amazônia maranhense. A região é considerada o setor mais desmatado de toda a Amazônia brasileira, por conta do avanço da agropecuária, a alta densidade populacional e a ação de madeireiros e colonos. “Cerca de 60% das suas florestas já foram desmatadas e as poucas árvores que restam continuam sob grande pressão”, observa Ima Célia Vieira, coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Emílio Goeldi. Estudos recentes indicaram, por exemplo, que das 531 espécies de aves registradas na região, cerca de 166, ou 22%, estavam ameaçadas de extinção.

Plano de conservação
O Pará possui mais de 1,25 milhão de quilômetros quadrados de extensão. Desse total, cerca de 16% — o equivalente ao Estado do Paraná — são áreas de florestas e campos já alterados pela atividade humana. A taxa anual de desmatamento entre 1998 e 2000 foi de 6.700 quilômetros quadrados, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “A situação da biota do Centro de Endemismo Belém é semelhante à situação da biota da Floresta Atlântica. Se nada for feito urgentemente, poderemos ter uma extinção em massa, a primeira desse tipo a atingir a Amazônia desde a entrada do homem na região”, alerta Cardoso da Silva. Concluído o diagnóstico da biodiversidade, o Museu Emílio Goeldi e a Conservation International do Brasil pretendem elaborar — junto com outras organizações, governos estadual e municipais, lideranças indígenas e comunidades locais — um plano de conservação da região. Essas ações começarão a ser definidas numa reunião agendada para agosto deste ano e devem incluir medidas como a implementação de corredores ecológicos, por meio da criação de reservas privadas e da restauração de florestas em áreas críticas, atualmente degradadas.

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