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Universidades

Reforço no ensino público

São Paulo investe em educação a distância para garantir formação universitária a professores

Foi oficializada pelo governador de São Paulo, José Serra, a criação do Programa de Expansão do Ensino Superior Paulista Universidade Virtual do Estado de São Paulo, também conhecido como Univesp. Trata-se de um plano de ensino a distância que vai envolver as universidades de São Paulo (USP), Estadual Paulista (Unesp) e Estadual de Campinas (Unicamp) para dar formação superior a um público-alvo de 35 mil professores utilizando ambientes virtuais de aprendizagem.

“O programa promoverá a expansão do conhecimento levando em conta três princípios básicos: acesso, eqüidade de oportunidades ao ensino superior e a busca obsessiva pela qualidade”, afirmou Carlos Vogt, secretário estadual de Ensino Superior e coordenador do programa. O Univesp terá investimento de R$ 152 milhões, sendo R$ 52 milhões da Secretaria Estadual da Educação e R$ 100 milhões provenientes da Secretaria Estadual de Ensino Superior, que criou o programa com apoio da TV Cultura (Fundação Padre Anchieta) e da Fundação para o Desenvolvimento Administrativo Paulista (Fundap). “As universidades vão caprichar porque são as três melhores do país e não darão aula sem qualidade”, disse o governador José Serra na cerimônia de lançamento do programa. “É um instrumento novo, com um potencial grande, e nós temos que aprender, cada vez mais, a aproveitá-lo”, afirmou.

A idéia é oferecer já no ano que vem 6,6 mil vagas gratuitas a professores, divididas em 5 mil vagas no curso de pedagogia, 700 de licenciatura em biologia e  900 de licenciatura em ciências. Serão desenvolvidos, ainda, cursos de especialização voltados a professores da rede estadual de ensino, da 5a série ao ensino médio. Por meio de uma parceria com a Secretaria Estadual da Educação, 110 mil docentes deverão ingressar no ano que vem em 16 cursos de pós-graduação.

O programa terá outros dois módulos. Um deles contempla a oferta de vários cursos de licenciatura como Matemática, Física, Química, Biologia e Língua Portuguesa. O segundo oferecerá cursos para professores que já tenham um curso superior completo e desejam seu aperfeiçoamento profissional. Estão programados cursos de especialização em docência no ensino fundamental e médio e em gestão escolar.

O acompanhamento dos estudos e das atividades pedagógicas será feito tanto de forma presencial, em 70 pólos de apoio instalados nas universidades e outras instituições participantes, como pela internet ou por uma linha do telefone 0800. As aulas laboratoriais e as avaliações serão realizadas nos pólos, onde o aluno receberá apoio pedagógico. Um conjunto de tutores estará continuamente disponível para atender os alunos via internet. A partir de fevereiro, o canal digital da TV Cultura transmitirá durante as 24 horas do dia os programas-aula.

A principal justificativa do programa é a persistência da formação escassa dos docentes paulistas: 36% dos professores de educação infantil e 27% dos de 1ª a 4ª séries não possuem diploma universitário, de acordo com dados de um censo realizado pelo Ministério da Educação (MEC) em 2005. No total, chegam a 60 mil os professores sem formação universitária em atividade. O Univesp vai se somar a um programa lançado no mês passado pelo MEC e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que promete investir R$ 1 bilhão na formação de professores tanto na forma presencial, com a abertura de vagas nas universidades públicas, quanto no padrão do ensino a distância, por meio da Universidade Aberta do Brasil (UAB). O Sistema Nacional Público de Formação de Professores do Magistério promete investir R$ 1 bilhão na iniciativa.

Parte do dinheiro será destinada a instituições superiores federais, estaduais e municipais para custear a abertura de novas vagas; outra será utilizada no pagamento de bolsas para os professores universitários que assumirem mais turmas de licenciatura; e outra parte para bolsas para os docentes do ensino básico. A expectativa é de que cerca de 600 mil professores – sem graduação ou sem formação específica na disciplina em que lecionam – sejam qualificados nos próximos três anos. “Nosso objetivo é oferecer uma formação continuada, qualificando o professor e adequando o que ele aprende na universidade ao que encontra na realidade, no chão da escola”, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad.

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