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Soluções da ciência

Evento discute caminhos para superar desafios em áreas como saúde, energia e ambiente

Seminário discutiu em São Paulo o potencial de aplicação do conhecimento científico em áreas estratégicas

eduardo cesarSeminário discutiu em São Paulo o potencial de aplicação do conhecimento científico em áreas estratégicaseduardo cesar

Pesquisadores e representantes de instituições públicas e empresas participaram no auditório do Centro Britânico Brasileiro, em São Paulo, de uma maratona de painéis sobre o papel da ciência para enfrentar desafios em áreas como saúde, energia e meio ambiente. Realizado no dia 2 de dezembro, o seminário Caminhos da Ciência e Desenvolvimento discutiu o potencial de aplicação do conhecimento científico. “Em momentos de crise de confiança generalizada como o que vivemos, é importante voltarmos as atenções para a ciência em busca de soluções”, disse Adriana Brondani, diretora do Conselho de Informações sobre Biotecnologia, umas das entidades que apoiaram o evento. Organizado pela consultoria Elabora BioSolutions, o seminário também teve apoio da FAPESP, da revista Pesquisa FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre outros.

O primeiro painel discutiu conhecimento científico e desenvolvimento e contou com a participação de José Fernando Perez, presidente da Recepta Biopharma, empresa de biotecnologia voltada para compostos com potencial de combater o câncer, e Ladislau Martin Neto, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa. Perez ressaltou a importância da interação entre universidades e empresas. “É por meio da inovação que empresas buscam parcerias com universidades e instituições de pesquisa diversas. Esse tipo de colaboração é necessário para que todos cumpram sua função social de gerar conhecimento novo”, disse. Já Martin Neto destacou o papel do agronegócio nesse contexto. “Trata-se de um setor estratégico e competitivo, para o qual são necessárias inovações no sentido de automatizá-lo, diminuindo custos e aumentando a produtividade”, observou.

Convidado para moderar esse painel, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, observou que é cada vez mais comum cientistas que atuam dentro de empresas realizarem pesquisa de grande impacto. Segundo ele, esse cenário se tornou mais comum no país nas últimas duas décadas e a mudança não diminuiu o papel da universidade. “Há lugares diferentes na sociedade em que se promovem avanços também em benefício da população. Continuam existindo muitos cientistas nas universidades realizando grandes descobertas. Ao mesmo tempo, são organizadas atividades de pesquisa na iniciativa privada”, ressaltou.

Outro painel abordou o papel da ciência para a superação de desafios relacionados a meio ambiente e qualidade de vida. O bioquímico britânico Andrew Simpson, radicado no Brasil, falou dos avanços da farmacêutica brasileira Orygen em pesquisas com vacinas para combater o câncer. “Temos parceria com o Instituto Ludwig e com grupos de pesquisa na Alemanha. Agora, buscamos parcerias com hospitais do Brasil para iniciar os testes clínicos”, disse Simpson. No campo da genética, Pamela Ronald, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Davis, Estados Unidos, descreveu alguns projetos que resultaram em benefícios para a produção de alimentos. Ela colaborou em estudos que chegaram a uma variedade de arroz transgênico resistente a inundações, com produtividade três vezes maior que o usual. “O consenso científico diz que esses alimentos são seguros. Algumas sementes modificadas conseguem reduzir muito o uso de pesticidas no campo”, explicou.

Já o economista Henrique Pacini, representante da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), ressaltou a importância da ciência na área de energias renováveis. “O grande desafio desse setor é ampliar o acesso à energia moderna. Uma estratégia é expandir o uso do etanol. Para isso, é necessário que os países adotem políticas de incentivo à produção de biocombustíveis”, afirmou.

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