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Boas práticas

Substituição paulatina

Governo do Reino Unido apresenta plano para reduzir experimentos com animais em pesquisas científicas

O Reino Unido anunciou um plano de ação detalhado e com prazos definidos para reduzir o uso de animais em experimentos científicos voltados à saúde humana. A proposta do governo inclui acabar neste ano de 2026 com os testes em animais para detectar potencial irritação cutânea e ocular de novos medicamentos. Até 2027, os pesquisadores também devem substituir os testes de eficácia da toxina botulínica (o botox) em camundongos. Até 2030, haverá redução de pelo menos 35% do uso de cães e de primatas não humanos em estudos farmacocinéticos, que monitoram como um medicamento é absorvido, distribuído e metabolizado pelo organismo ao longo do tempo.

A estratégia para atingir essas metas é investir em novas tecnologias e métodos alternativos. O governo quer ampliar a aplicação da inteligência artificial em análises preditivas avançadas; utilizar sistemas de organ-on-a-chip, que utilizam células para desenvolver tecidos humanos integrados a microchips, capazes de reproduzir o funcionamento de órgãos vivos; e aprimorar a bioimpressão de amostras de tecidos em 3D, para o estudo da biologia humana e a verificação da toxicidade de substâncias (ver Pesquisa FAPESP nº 335).

O ministro da Ciência, Inovação, Pesquisa e Energia Nuclear do Reino Unido, Patrick Vallance, afirmou que o plano contará com um financiamento de £ 60 milhões, algo em torno de R$ 432 milhões. O dinheiro será usado para criar, num primeiro momento, dois centros: um reunirá dados, tecnologia e conhecimento especializado para promover a colaboração entre os pesquisadores sobre o tema e o outro simplificará ao máximo o processo de aprovação regulatória das novas alternativas.

Outros compromissos que fazem parte da estratégia, segundo Vallance. São eles: oferecer treinamento básico em métodos alternativos para pesquisadores em início de carreira; publicar listas de prioridades de pesquisa para modelos diferentes pelo menos a cada dois anos; e aumentar a visibilidade dos métodos disponíveis, inclusive por meio de revistas acadêmicas.

Segundo a BBC, os experimentos com animais no Reino Unido atingiram o pico de 4,14 milhões em 2015. Em 2020, com o desenvolvimento de alternativas criadas em laboratório, o número caiu consideravelmente para 2,88 milhões. Mas, desde então, manteve-se em torno desse patamar.

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