Após mais de um ano de investigações, Darryll John Pines, engenheiro aerospacial e reitor da Universidade de Maryland, em College Park, nos Estados Unidos, foi considerado inocente de acusações de plágio em dois artigos científicos de que é coautor. O próprio Pines havia pedido a apuração depois que o site conservador The Daily Wire o acusara de ter reproduzido nos papers trechos de um site criado em 1996 por um estudante australiano. Em um dos artigos, divulgado em 2002 na revista Proceedings of SPIE – Smart Structures and Materials, havia 1.500 palavras reproduzidas, o equivalente a 30% no texto. O mesmo material reapareceu, reciclado, em um artigo de 2006 no Journal of Sound and Vibration. Em ambos os casos, o texto copiado sem a devida atribuição constava nas seções introdutórias dos papers, não nos resultados e conclusões, em que a originalidade é vista como mais importante.
A investigação, conduzida de forma independente por um escritório de advocacia, que se estendeu a vários outros artigos do engenheiro, concluiu que o reitor não foi o responsável pela inclusão do texto plagiado nos artigos. De acordo com um comunicado divulgado por e-mail por representantes do College Park, “não foram encontradas evidências de má conduta acadêmica por parte de Pines”. Liming Salvino, coautora dos dois artigos, foi procurada pelo jornal The Washington Post, mas não se pronunciou sobre o resultado da investigação.
Aos 61 anos, Pines é professor de engenharia aeroespacial e já assinou mais de 250 artigos. Foi o primeiro negro a assumir a reitoria da Universidade de Maryland – ele ocupa o cargo desde 2020 – e é um militante da diversidade no ambiente acadêmico, uma pauta atacada por pessoas e organizações de direita nos Estados Unidos. Ele não foi o único líder universitário afro-americano a ter a produção científica escrutinada e a enfrentar acusações de plágio recentemente.
O caso mais notório foi o da cientista política Claudine Gay. Primeira afro-americana a assumir a reitoria da Universidade Harvard, ela renunciou ao cargo em 2024, depois que o jornal The New York Post e o site de jornalismo político conservador Washington Free Beacon apontaram a existência de mais de 40 trechos de textos escritos por outras pessoas em artigos acadêmicos e na tese de doutorado defendida pela pesquisadora nos anos 1990, sem que as fontes fossem mencionadas.
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