EDITORIAL

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Para conhecer um problema

NELDSON MARCOLIN - EDITOR CHEFE | ED. 241 | MARÇO 2016

 

A ocorrência de números aparentemente anormais de microcefalia em recém-nascidos, percebida desde o segundo semestre de 2015, e sua associação com o vírus zika levaram à movimentação frenética de médicos, pesquisadores e autoridades da saúde para entender o que estava acontecendo. Enquanto desenhavam linhas de pesquisa, os cientistas de várias especialidades que começaram a analisar os dados disponíveis se viram diante de uma dificuldade a mais: não havia informações epidemiológicas suficientes que permitissem comparar números de ocorrências antes e depois de a notificação de microcefalia se tornar obrigatória.

Sem conhecer a realidade anterior à entrada do vírus no Brasil é difícil saber se o número de casos de microcefalia está de fato crescendo. E, caso esteja, de quanto é o aumento e qual proporção dele se deve ao vírus. Sem essas informações, abre-se espaço para especulação. Além da falta de dados para comparação, os critérios para definir microcefalia foram mudados no início de dezembro e há estudos sugerindo que deveriam ser usados como parâmetros curvas de crescimento mais adequadas à população brasileira. A reportagem de capa desta edição procura prestar um serviço ao reunir e analisar o que se sabe efetivamente sobre essa questão.

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Levantamento realizado por 575 botânicos brasileiros e estrangeiros indicou que o Brasil é o país com maior diversidade de plantas, algas e fungos do mundo, com 46.097 espécies. A pesquisa consta da segunda versão da Lista de espécies da flora do Brasil, publicada em dezembro de 2015 – a primeira foi compilada em 2010. Outras listas serão publicadas no futuro porque cerca de 250 novas espécies são descritas e apresentadas em revistas científicas a cada ano. As características das plantas começam a ser reunidas no banco de dados Flora do Brasil Online, que deve estar concluído até 2020 para integrar o World Flora Online, com informações sobre todas as espécies conhecidas do mundo. O trabalho a ser realizado ainda é enorme. O Amazonas, por exemplo, aparece no levantamento apenas como o terceiro estado com maior diversidade, atrás de Minas Gerais e da Bahia. A explicação é simples: houve menos coletas lá do que nos demais estados, muito mais conhecidos e frequentados pelos pesquisadores.

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A Universidade Estadual Paulista (Unesp) completou 40 anos em janeiro como um dos pontos de referência em produção do conhecimento e em ensino superior público no interior de São Paulo com seus 24 campi espalhados pelo estado. Em 1976, ano da reunião das faculdades que formariam a universidade, havia 14 campi e foco no ensino. Nos anos 2000, houve um salto na produção científica e na qualidade da pós-graduação, seguido por um forte investimento na renovação dos docentes, com a contratação de mais de mil novos professores. A partir desta edição, Pesquisa FAPESP trará uma série de reportagens sobre a trajetória de uma universidade que soube se transformar para buscar a excelência.

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Os estudos do patologista Paulo Saldiva sobre os efeitos da poluição urbana e suas propostas para a melhoria da qualidade de vida merecem ser conhecidos. A entrevista concedida por ele apresenta algumas ideias para termos cidades mais saudáveis. Boa leitura.


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