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A menina que veio da antiga Beríngia

ED. 263 | JANEIRO 2018

 

Representação artística de população que viveu no Alasca cerca de 15 mil anos atrás

O sequenciamento do DNA extraído de ossos fossilizados de uma recém-nascida de 6 semanas que viveu 11.500 anos atrás em um assentamento na bacia do rio Tanama, no centro do Alasca, forneceu novas informações sobre como pode ter sido o povoamento inicial das Américas (Nature, 3 de janeiro). Segundo análises feitas por arqueólogos e geneticistas das universidades de Copenhague, na Dinamarca, e de Cambridge, no Reino Unido, a bebê fez parte de uma população que deve ter compreendido alguns milhares de indivíduos e viveu estacionada por uns poucos milhares de anos na Beríngia. Esse é o nome dado à vasta porção de terra firme (hoje em grande parte submersa) que ligava a Sibéria, no leste da Ásia, ao Alasca, no norte das Américas, entre aproximadamente 30 mil e 15 mil anos atrás, durante a última glaciação, quando o nível do mar estava mais baixo do que hoje. Os pesquisadores denominaram o povo da menina, cujos vestígios foram encontrados em 2013 ao lado de outro fóssil de bebê, de antigos beríngios. Eles e os ancestrais de todos os ameríndios atuais descenderiam de uma única população do leste da Sibéria que teria se separado geneticamente dos demais asiáticos há cerca de 36 mil anos. Os antigos beríngios divergiram geneticamente dessa população por volta de 20 mil anos atrás, mas não foi possível descobrir se a divisão ocorreu ainda na Ásia ou já nas Américas. Os ancestrais dos ameríndios atuais teriam se separado dessa mesma população um pouco mais tarde, aproximadamente 16 mil anos atrás.


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