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Evento

Cooperação no espaço

Uma parceria entre o Centro de Cristalografia Macromolecular (CMC) da Universidade do Alabama, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e a FAPESP, junto com empresas e universidades brasileiras, pode ser o ponto de partida para a realização de importantes experimentos do país no espaço, com grande repercussão no seu desenvolvimento científico.

Essa parceria, estimulada pela presença no Brasil do astronauta e cientista Lawrence DeLucas, diretor do CMC, um dos grupos comerciais da NASA, acelera também os preparativos para a construção de um laboratório em órbita, que o país pretende possuir na Estação Espacial Internacional, prevista para começar a funcionar em 2004.

A participação brasileira na Estação Espacial deverá ser oficializada pelo INPE neste mês de junho. Já estão confirmadas as presenças de 13 países no consórcio, ao qual o Brasil primeiro país em desenvolvimento a ser convidado pagará US$ 100 milhões para usar permanentemente 1% do tempo de trabalho na estação. “Uma ampliação da participação brasileira em experimentos espaciais é de grande interesse da NASA, porque o Brasil possui um enorme potencial para desenvolver novas drogas” – afirmou o pesquisador -, “além de possuir uma floresta como a Amazônica, que pode ser fonte de importantes descobertas em biotecnologia”.

As declarações de Lawrence DeLucas foram feitas na FAPESP, onde ele esteve no último dia 22 de maio para falar a pesquisadores e empresários brasileiros dos setores químicos e farmacêuticos. Reunidas no auditório, cerca de 60 pesquisadores de diversas especialidades e diretores de empresas participaram do evento, que discutiu o potencial da pesquisa realizada em ambientes de microgravidade.

Em sua palestra, DeLucas ressaltou também que a universidade e a indústria devem trabalhar sempre juntas na realização de pesquisas, uma tendência internacional que ainda não é muito posta em prática no Brasil. O Centro de Cristalografia Macromolecular, sob a direção de DeLucas, foi a instituição responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de crescimento de cristais no espaço e colaborou para o lançamento dos experimentos brasileiros do pesquisador Glaucius Oliva, da USP-São Carlos, no ônibus espacial Columbia, no dia 04 de abril, e no Atlantis, em 15 de maio. O CMC coordena trabalhos em biotecnologia incluídos em vôos espaciais e participa de pesquisas para o desenvolvimento de novas drogas para o tratamento de diversas doenças como câncer, diabete, Aids, entre outras.

Na abertura do evento, o presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, professor Francisco Romeu Landi, destacou a importância da participação das empresas para o desenvolvimento de áreas de ponta, sinalizado, inclusive, pelo Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas, recentemente iniciado pela Fundação.

Entre os participantes do evento estavam o diretor do INPE, Márcio Barbosa, o diretor da Vallée Laboratórios, Américo Martins Craveiro, o diretor da União Química Indústria Farmacêutica, Dante Alario, e o diretor da Brazsat, Julio Vaz. Esta última é uma empresa brasileira especializada em intermediar a venda de serviços espaciais, e foi uma das responsáveis pelo envio dos experimentos brasileiros ao espaço nos ônibus espaciais Columbia e Atlantis.

À noite, Lawrence DeLucas e o diretor científico da FAPESP, professor José Fernando Perez, participaram do programa Opinião Nacional, da TV Cultura, onde concederam entrevista sobre o futuro das pesquisas científicas no espaço e a participação brasileira.

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