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Mundo

Reencontro histórico

Duzentos pesquisadores das duas Coréias se encontraram secretamente em Pyongyang, capital da Coréia do Norte, no início de abril, para discutir formas de impulsionar a cooperação científica na península dividida. Histórica em tamanho e em ambição, a reunião havia sido marcada para março, mas foi adiada pela Coréia do Norte, comunista, em protesto contra os exercícios militares conjuntos da Coréia do Sul e dos Estados Unidos. Autoridades do norte disseram aos rivais do sul que o encontro seria suspenso se uma palavra vazasse para a imprensa. O acordo foi cumprido e, no final, o diálogo fluiu. Após um estranhamento inicial causado pelas diferenças de sotaque, “o gelo desmanchou-se quando começaram a falar de ciência”, disse à revista Science o organizador da conferência Chan-Mo Park. Os pesquisadores discutiram projetos comuns. Um deles, no campo dos softwares, busca reduzir o fosso tecnológico que separa os vizinhos. Os norte-coreanos expressaram interesse em energias alternativas, agricultura e na mitigação dos efeitos das tempestades de areia vindas da China. Os sul-coreanos acenaram com dinheiro: dispunham de US$ 600 mil para projetos conjuntos. O sucesso do encontro é atribuído à tenacidade da Soon-Kwon Kim, da Universidade Kyungbuk, em Daegu, que visitou a Coréia do Norte 27 vezes desde 1998. “A ciência é a melhor opção para mudar e ajudar a Coréia do Norte”, disse Kim.

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