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paleontologia

Um dinossauro de garras muito afiadas

Fóssil de pé com garras em forma de lâmina

Rodolfo Nogueira

Há 90 milhões de anos, viveu em um antigo deserto situado em terras hoje pertencentes ao noroeste do Paraná um pequeno bípede carnívoro de pouco mais de 1 metro (m) de comprimento e 11 quilos de peso que exibia uma característica física ameaçadora nunca antes registrada em outro dinossauro: pés dotados de um par de garras em formato de lâmina, com as quais provavelmente segurava e dilacerava suas presas. O temível traço anatômico de Vespersaurus paranaensis, nome da nova espécie de dinossauro, a primeira encontrada nesse estado da região Sul do país, tinha função análoga às garras em forma de gancho de um gênero famoso de dinossauro, Velociraptor (Scientific Reports, 26 de junho). “Apesar da semelhança, Vespersaurus não era parente próximo de Velociraptor”, afirma o paleontólogo Max Langer, da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, que coordenou o estudo sobre os fósseis da nova espécie, achados no município de Cruzeiro do Oeste. “Ele provavelmente se alimentava de lagartos e pterossauros [répteis alados], cujos vestígios fósseis também já foram encontrados na região.” Os membros inferiores de Vespersaurus ainda indicaram outra característica peculiar da espécie. O animal caminhava com praticamente todo seu peso apoiado sobre um único dedo, a maior falange, de cada pé. De seus quatro dedos, três eram funcionais e um, vestigial (atrofiado). O maior dedo funcional, que produzia as marcas de suas pegadas, ficava entre as duas garras. Vespersaurus pertence ao grande grupo dos terópodes, dinossauros carnívoros que, além deVelociraptor, inclui os tiranossauros. Também assinam o trabalho científico com a descrição da nova espécie pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá; do Museu de Paleontologia de Cruzeiro do Oeste; do Museu Nacional, do Rio de Janeiro; e do Museo Argentino de Ciencias Naturales.

Paulo Manzig Reconstituição artística de Verspersaurus paranaensis Paulo Manzig

O site da revista Pesquisa FAPESP traz uma versão ampliada desta reportagem

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