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Geologia

Diamantes com a idade da Terra

Extraídos no município de Juína, em Mato Grosso, diamantes se formaram entre 410 e 660 quilômetros de profundidade

Suzette Timmerman / Universidade Nacional Australiana

Diamantes originários das profundezas da Terra parecem fazer jus ao comentário de que eles são eternos e podem ser importantes para entender a composição química das rochas situadas abaixo da litosfera, camada sólida que engloba a crosta e parte do manto superior do planeta. Um grupo internacional de geólogos do qual participou Eric Tohver, da Universidade de São Paulo (USP), analisou a composição de diamantes encontrados em uma mina no município de Juína, no estado de Mato Grosso, perto da divisa com Rondônia, e concluiu que eles podem ser tão antigos quanto a Terra, formada há 4,5 bilhões de anos (Science, 16 de agosto). Esses cristais são como cápsulas do tempo: aprisionam traços dos elementos químicos presentes no ambiente em que se originaram. Segundo análises dos pesquisadores, os diamantes de Juína provêm de profundidades que variam de 410 a 660 quilômetros abaixo da superfície. Sua composição apresenta pequenas inclusões fluidas do gás hélio (He) e de outros elementos, que ficaram aprisionados. Os pesquisadores conseguiram extrair esse gás de 23 diamantes. Nas amostras, encontraram elevadas concentrações de duas variedades (isótopos) de He – o 3He e o 4He –, o que sugere a existência de uma fonte profunda e primordial desse elemento. O hélio dessas regiões profundas ocasionalmente se infiltraria na chamada zona de transição, camada que separa o manto superior do inferior. Os isótopos desse elemento químico entrariam em contato com material da zona de transição e criariam as diversas composições registradas nos basaltos das ilhas oceânicas.

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