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difusão

A comunicação da pesquisa

Labjor consolidou-se como um dos principais centros de jornalismo científico no país

Simpósio realizado em comemoração aos 20 anos do laboratório em 2014

marcos rogério pereiraSimpósio realizado em comemoração aos 20 anos do laboratório em 2014marcos rogério pereira

Um dos principais centros de referência em divulgação e jornalismo científico no Brasil e na América Latina, o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp começou a ser idealizado na Europa. Em 1992, o jornalista Alberto Dines trabalhava em Lisboa, Portugal, e escreveu para o então reitor da instituição, o linguista Carlos Vogt. Queria propor um projeto. “Disse ao Vogt que talvez pudéssemos fazer uma coisa precursora”, disse Dines à Pesquisa FAPESP em 2012. Vogt aproveitou uma viagem a Paris e passou um final de semana em Lisboa. Ali, estabeleceram algumas das bases do centro.

“A iniciativa coincidiu com uma demanda da Unicamp, que nunca havia oferecido graduação em comunicação social e buscava criar um programa de pós-graduação na área”, explica Vogt, presidente da FAPESP entre 2002 e 2007. O Labjor foi fundado dois anos depois, em 1994, em seminário realizado em Campinas, que reuniu empresários e pesquisadores, entre eles José Marques de Melo, professor da Universidade Metodista de São Paulo.

Em mais de 20 anos, o Labjor já formou cerca de 400 profissionais – dos quais 110 foram bolsistas do programa Mídia Ciência da FAPESP. Além de oferecer um curso de especialização lato sensu em jornalismo científico, o laboratório foi pioneiro ao criar, em 2008, um programa de mestrado em divulgação científica e cultural que produziu 130 dissertações até agora. “O Labjor contribuiu para o amadurecimento da pesquisa em divulgação científica no país”, diz Vogt.

Uma das preocupações do laboratório é oferecer uma noção ampla em várias disciplinas, tais como sociologia, filosofia e política científica. Parte da faceta multidisciplinar do Labjor se deve às parcerias estabelecidas com outras unidades da Unicamp, como o Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT), o Instituto de Geociências (IG) e o Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), que abriga o programa de mestrado. Pesquisadores dessas unidades atuam como docentes no Labjor.

No início, o laboratório oferecia cursos de capacitação voltados para várias áreas do jornalismo. Essa primeira fase forneceu as bases para o lançamento, em 1996, do Observatório da Imprensa, um veículo on-line coordenado por Dines e dedicado à crítica da mídia. A decisão de direcionar o Labjor para a divulgação científica ganhou força a partir de 1997. “Acreditava que o Labjor deveria buscar uma identidade acadêmica, que permitisse desenvolver um trabalho de pesquisa articulado com questões da ciência e da tecnologia”, explica Vogt.

Em 1999, o Labjor lançou o curso de especialização em jornalismo científico, em parceria com o DPCT. A jornalista Simone Pallone de Figueiredo foi uma das alunas da primeira turma do curso e, em seguida, fez mestrado e doutorado no DPCT. Hoje ela é pesquisadora no Labjor e foi editora da revista ComCiência, publicada pelo laboratório em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). “A ComCiência nasceu em 1999, para que alunos do curso de especialização pudessem praticar o jornalismo científico”, explica Simone, que hoje edita a revista Inovação – uma parceria entre o Labjor e a Agência de Inovação da Unicamp – e coordena o programa de rádio Oxigênio, junto com a Web Rádio Unicamp. “Essa produção está correlacionada com o ensino, porque é uma oportunidade para os alunos experimentarem novos formatos e linguagens”, diz Simone.

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