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BRASIL

A miséria que cerca Alcântara

O município de Alcântara, no Maranhão, tem vocação tecnológica (abriga o centro de lançamento de foguetes) e turística (preserva sua arquitetura colonial), mas a maioria dos habitantes vive em condições africanas de pobreza: 73% da população, de 21 mil pessoas, concentra-se na área rural e a renda mensal média de 59% das famílias é inferior a R$ 100. Uma parceria entre a Agência Espacial Brasileira e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tentará melhorar o índice de desenvolvimento humano da região.

A idéia é ensinar aos pequenos produtores estratégias para aumentar sua produtividade. Eles usam técnicas de 300 anos atrás, baseadas na enxada e no facão, e não conseguem cultivar terrenos maiores que 1 hectare, incapazes de gerar riqueza. Plantam, numa mesma área, mandioca, milho, feijão e arroz. Quando o solo dá sinais de desgaste, abandonam-no, desmatam áreas próximas e voltam ali muito tempo depois.

O programa vai montar duas unidades experimentais, nas quais serão testadas novas possibilidades. Um exemplo: as unidades vão testar a associação de apenas duas culturas em cada terreno (feijão com milho, ou mandioca com arroz), que conseguem desempenho melhor. Todos os agricultores da região serão convidados a conhecer o modelo – para reproduzi-lo em suas propriedades. “O obstáculo, em Alcântara, é tecnológico”, diz Zeke Beze, consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). “Já se tentou resolver o problema com financiamento rural, em vão. Os agricultores não sabiam como plantar de forma mais produtiva”, afirma.

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